quinta-feira, janeiro 22, 2009

Sobre blogar, feeds, trends, leitores de conteúdos, redes e outras histórias


bolinhos de arroz da vó mimi

Esta postagem inicia em outras paragens, quando o Fernandão ameaça cometer um blogcídio. Nada de xiliques tipo a secretária de educação do RS, que fica dizendo "não brinco mais" e outras bobagens sempre que é contrariada na sua campanha em afundar a educação do estado.

Foi um desabafo coerente com algumas frustrações que temos quando decidimos publicar (publicar e ponto). O desabafo, entre outras coisas, serviu para provar para o Fernando os links que ele tem na rede onde se insere. Tanto que ele já desceu do telhado.

Mas, o meu comentário grandão, falei sobre quantidade e qualidade e sobre o sentido de blogar. Nestas, o Fernando me escreve e diz:

Gostaria que me falasse um pouco mais sobre trends, Google Reader e feed, que até então nunca tinha ouvido falar nestas palavras. Depois, se puder, que mostrasse como faço para juntar todos os blogs em um só (categorias e vez de linkar outro blog).
Bueno, ... pelo tamanho destra introdução, a ideia é resumir e simplificar um pouco a resposta para, talvez, em outros momentos desenvolver mais. Dar um impulso inicial para que o Fernando possa buscar o que falta.

Feed - é um arquivo que um site ou blog produz para distribuir o seu conteúdo. Este arquivo (feed, rss, atom) pode ser lido em leitores de conteúdo (Bloglines, Google Reader, ...)
Para saber mais:
RSS e agregação de conteúdo - atividades do PROA UFRGS
RSS e Educação - texto meu no Redemoinhos na USP

Google Reader - é um leitor de conteúdo do tipo baseado na web, isto é, você se cadastra e usa por meio do navegador. Outro web-based bom é o Bloglines. Recomendo este tipo, em vez dos que tem de instalar no computador, por serem acessíveis de qualquer computador.
Coisas que escrevi na categoria googlereader.
Atividades do PROA UFRGS referentes ao Bloglines.
Ajuda do Google Reader

Trends - as "trends" ("tendências" na interface em português) que me referi no comentário feito ao Fernando foram as do Google Reader. Basicamente são as estatísticas referentes as tuas leituras por meio do GR. Se tu não marcas como lido, coisas que não lestes, terás uma bela ideia do que, de quem e do quanto lês dos teus feeds (subscrições) ou blogs assinados. (não quase assassinados como o do Fernandão :)))

Juntar blogs - Muitas pessoas acabam criando um blog para cada assunto, cada interesse. Por não querer misturar acabam, por outro lado, segmentando demais. Uma das grandes virtudes de um blog (entendendo aqui o blog como um gênero de discurso e de publicação, não apenas como meio ou, pior, como ferramenta) é justamente reunir, contextualizar e tornar histórica a informação. Assim, se você falar sobre o que comeu no café da manhã numa postagem e sobre as políticas públicas de educação na postagem seguinte, a posteridade (e os blogs servem para a posteridade, também... haja vista a história apagada do blog da jornalista da globo) terá uma boa ideia do modo de vida de um professor da rede estadual do ensino médio nos anos 20xx.

Assim, é irrelevante ficar falando da relevância do que se escreve. Relevante é saber que fazemos parte de um texto coletivo que é histórico e expressa nossas práticas sociais. A forma como construímos a realidade e como somos construídos por ela. Blogs, no meu entender, tem a ver com totalidade.

Uma vez, em 2005, fiz um comentário à um texto do Inagaki no Digestivo Cultural e, depois, refleti sobre este comentário aqui no blog. Eu continuo acreditando no que disse. E, hoje, relendo, penso que ele cabe como uma luva se pensarmos no caso da jornalista que deletou seu blog (e ele veio assombrá-la do fundo das masmorras da internet), assim como, é uma boa resposta aqueles que criticam a polifonia\polissemia\heterogeneidade dos textos de um blog.

Mas, vamos nos ater ao ponto: juntar blogs. Para compor a salada, juntando suas postagens dispersadas em diversos blogs e compor o seu "blog mãe" pode-se usar o recurso de importar\exportar postagens. Nos blogs do blogger, faz-se assim:

1 - selecione os blogs que vão migrar para o blog-mãe. Uma coisa que podes fazer aqui é: se tens um blog onde colecionas "pensamentos e citações", acesse as postagens e crie uma tag (categoria) "pensamentos e citações"e adicione esta categoria a todas as postagens. Deste modo, quando importar estas postagens, elas já estarão categorizadas.

2 - Em um dos blogs , entre em configurações e na aba "básico". Ali, encontrarás os links: importar, exportar, exclui. Exporte o conteúdo do blog, salvando o arquivo no seu computador.
3 - No blog mãe, vá no mesmo lugar e importe o arquivo que está no seu computador. As postagens virão se mesclar as do blog-mãe.

4 - Faça isso para todos os blogs que desejar mesclar.
(aqui cabem sugestões)

Vou parar por aqui, porque o sol lá fora está quente e porque senão vou perder os bolinhos de arroz.

* foto: delícias do trivial by Vó Mimi

Marcadores: , , , , , , , ,



segunda-feira, janeiro 19, 2009

Campus Party


Para quem pode estar em Sampa no Campus Party não perJustificarder:

)) Encontrão MetaReciclagem - o grupo MetaFora, antigos e esporos, se reúne num encontrão intergalático.
Metarecicleiros, vendo a agitação ontem na lista, senti saudade de participar como antigamente. Lembrei das nossas discussões que literalmente se enredavam na rede.

Como veríamos hoje estas nossas conversas de 5 anos atrás? (pena que perdi os comentários)

[1] [2] [3] [4] [5] .....

Salve, Felipe Fonseca, Hernani Dimantas, Paulo Colacino, Paulo Bicarato, TupiNambá, Maratimba!




foto do ff no Flickr - a bandeira do Metareciclagem ocupando espaço no CParty

)) Tim Berners Lee - terça, dia 20, das 13 às 14h no palco principal.

)) Barbara Dieu, Eric Messa e Luiz Biajoni estãrão numa mesa sobre Bogs e Educação.

)) Raquel Recuero, Sandra Montardo e Adriana Amaral lançarão o livro Blogs.com, uma coletânea de textos sobre blogs
(ler mais)

)) A Lilian Starobinas preparou uma agenda dos eventos interessantes para educadores.


)) Acompanhe a Campus Party:

Agenda Campus Party

Live agregando diversos feeds e twitter #cparty

Lilian Starobinas pelo Blog Educarede na Campus Party

Marcadores: , , , ,



terça-feira, dezembro 02, 2008

wikis, blogs - autoria, autenticidade e controle


Em Dialética do Concreto, Kosík, fundamentado em Marx, diz que as coisas não são entregues a nossa compreensão instantaneamente. Explica que, embora usem o dinheiro, os homens não compreendem o dinheiro. O que ele chama de pseudoconcreticidade é uma camada que tem de ser rompida, não para encontrar algo novo que estava escondido, mas para dialéticamente poder compreender a realidade.

A escrita em wikis e blogs é bastante difundida e, inclusive, estudada. Porém, será que fora do âmbito de alguns estudos, as pessoas compreendem o uso dos blogs e wikis?

São tecnologias recentes, assim como bem recente é seu uso em educação, por exemplo. Inúmeros projetos envolvendo professores, alunos e escolas têm sido desenvolvidos. Porém, eu pergunto: em quantos destes projetos existiu a reflexão sobre os limites e as possibilidades (as contradições) do uso destas tecnologias?

Um wiki, originalmente, é uma página de edição aberta, coletiva, de autoria compartilhada. Quantos professores, alunos e instituições estão preparados para isso? Para compartilhar a autoria uns com os outros, para abrir mão de assinar seu texto?

Poucos. E é por isso que a maioria dos wikis de projetos educacionais não usa a edição aberta e compartilhada. Os wikis têm senhas, usuários identificados. São, enfim, controlados.

Quase todos ficam preocupados com o conteúdo, com a correção da língua, com as pixações que normalmente acontecem em wikis (as intencionais e as acidentais). O mesmo vale para os blogs e eu mesma passei por estas preocupações tempos atrás.

Se, por um lado, controlar mantém uma certa ordem (ou uma ordem considerada certa...), por outro perde-se momentos de rica aprendizagem. De discutir a produção coletiva, a colaboração, o despreendimento da identificação individual. De conversar sobre o anonimato, a autenticidade e a autoria nas situações que ocorrem na produção dos hipertextos.

Estão os professores preparados para isso? Ou os mecanismos de controle e a autoridade sobre o texto de todos são acionados cada vez que a situação for diferente do que o professor considera adequada? Aliás, quem determina (!) o que é adequado?

Considerando as experiências que tive com a utilização de wikis, observo que o mesmo professor (ou aluno) que fica histérico com a alteração ou a destruição de uma contribuição sua, é, em muitos casos, o mesmo que posta imagens e textos copiados de outros sites sem fazer referência da autoria. O que é, no meu entender, um incidente muito mais grave.

Na PEAD-UFRGS, tivemos a edição compartilhada (login compartilhado) de um wiki no qual quase 300 professores contribuíram. Imaginem todas as questões de autoria, pixação, vandalismo, até brigas .... Foi muito enriquecedor vivenciar esta experiência.

Mostrou que é equivocado tentar ficar 24h de plantão para manter o wiki na ordem que TU achas adequada. Proporcionou exercer a paciência e o acolhimento em relação a aprendizagem do outro, em relação aos limites da própria tecnologia e em relação às próprias falhas como professores.

O que seria mais urgente discutir com os alunos e colegas: o que é adequado e o que não é, as mazelas do anonimato e das pixações, o uso de textos/imagens de outros autores sem referência (plágio), os limites e possibilidades de cooperar?

E aí voltamos a reflexão sobre todos estes processos. Em que medida copiar, colar, plagiar, apagar, alterar no âmbito de um blog ou wiki de edição compartilhada são ações realmente compreendidas em todas as suas dimensões?

Eu penso que estes "problemas" são bem vindos quando trabalhamos em projetos com produção colaborativa\cooperativa. São bem vindos na medida que abrem espaço para discutir e refletir sobre estas questões e avançar no sentido de compreender a realidade.
* o texto é do Professor Marcelo, publicado "no lugar errado" e deletado (uma hora depois) em ser professor\ser professora. Um exemplo do que se perde...

Marcadores: , , , , , ,



domingo, janeiro 27, 2008

Bibliopedia, Referempedia, Ciberpedia, ou ...



A Raquel começou e a Adriana está seguindo o rastro. Publicar listas de referências sobre determinados temas pode ser uma coisa muito interessante para os pesquisadores mais online do Brasil.

E se for de forma colaborativa, à la wikipedia, melhor. E se alguém mais dos códigos resolver se puxar, poderá ter até um sistema de resenhas e de avaliações pelos pares acoplado.

O que é? Bom, ... a Raquel está construindo uma lista de artigos, textos, etc sobre blogs e a Adriana está fazendo o mesmo em cyberpunk e sci-fi.

Eu não estou fazendo nada :) , mas estou propondo ampliar a idéia, juntar as listas num wiki só e adicionar mais gente à proposta. Teremos uma biblioteca de referências em cibercultura, comunicação, educação, cultura, ... em vários temas.

A foto? Ah... a foto é para mostrar duas coisas:

- algum teor etílico não atrapalha o raciocínio, embora atrapalhe o uso do teclado.
- ninguém está mesmo a salvo...

Marcadores: , , , , , ,



quinta-feira, janeiro 17, 2008

gostosa loira nua



Buh!

Ou é uma cerveja sem rótulo ou a mais nova estratégia de gerar visitas.

Antes de começar uma advertência: este post não tem intenção nenhuma de ser sério em nenhum aspecto. E nem coerente. Acontece que eu estava debaixo do guarda-sol sem fazer nada e aí pensei que...

Uma das utilidades das estatísticas sobre os acessos num blog é a possibilidade de dar boas risadas com o que aparece nos referrers. As palavras ou expressões usadas em sistemas de busca que terminaram por indicar o seu blog para alguém.

A palavra voyeur que eu escrevi errado (voyer) nesta história, cujos muitos comentários se perderam na tosquice que era o meu blog em 2003*, me rende, até hoje, uma série de inavertidos tarados visitantes. Tarados com pouca fluência em Francês, diga-se.

Algumas técnicas para garantir um incremento no contador de acessos e nos cliques no Ad Sense levam em conta isso e propõem um certo oportunismo lingüístico. Um jeitinho para a sua postagem incluir cartas palavras, uma torcidinha no título deixando ele mais sensual, por exemplo.

Torne seu blog mais popular, propõe mais um guru do blogmarketing. Ganhe dinheiro com o seu blog, engane os robots do Google, espalhe armadilhas virtuais capturando possíveis comsuminautas incautos. E as dicas vão deste fazer os links de seu blog serem auto-referentes (o importante é fazer o leitor passar mil vezes pelos Ad Sense, que geralmente são maiores que o conteúdo). A postagem, tadinha!, vai estar lá num cantinho pouco iluminado.

Daqui a pouco vai aparecer algum serviço de divulgação de postagens por telemarketing. Pelo Skype, é claro.

- Alô mmmm! Com quem eu falo mmm?
- ...
Bom dia, senhoooora! Poderia, por favor, estar aguardando um momento mmm?
- ...
- Obrigada por aguardar! senhoooora
- Eu gostaria de estar lhe recomendando a leitura de Torne o seu Blog Popular. Para sua comodidade queira estar clicando no link que vai estar aparecendo na janelinha do chat.
- ...#£??
- A senhoooora gostaria, também, de estar assinando a nossa dica semanal de postagem por skype?
- ³¢°@# $$$ pqp!!!
- A TelePost agradece a sua gentileza e quer estar lhe desejando um bom dia mmm

Brincadeiras a parte e ressalvada as iniciativas comerciais ou não, que têm como objetivo dar um empurrãozinho na formação das redes e linkar conteúdos bons, é viral (como eles gostam de dizer) a proliferação daqueles que fazem a mercantilização de qualquer conteúdo ou até da ausência de conteúdo.

Você segue as táticas e, se os desafortunados que entrarem no seu blog via alguma armadilha semântica, clicarem em algum link do Ad Sense, bingo!!! Se só voltarem carregados pelos mesmos métodos, isso não é problema.

Assim, para que não pareça que estou contra esta saudável apropriação capitalista do conteúdo, vou dar algumas dicas para aumentar as possibilidades de estarem clicando os seus Ad Sense.

1 - Torne o seu blog pornográfico. Os contadores vão voar e pode esquecer as dicas seguintes.

2 - Aprenda chinês, pois as redes sociais deles estão cada vez maiores. A blogosfera já é maior que a de língua portuguesa. Coloque um forum no seu blog, pois eles adoram foruns e um jeito mais BBS de internet. Além do Ad Sense, se increva no Insenz.

3 - Aprenda japonês, também. A blogosfera japonesa já é maior do mundo.

4 - Para manter a audiência brasileira escreva posts com títulos que sejam uma variação de "loira gostosa nua". Ou tente o voyer.

Ou não dê bola para estas minhas bobagens :) e vá ler o Robin Good ensinando a roubar dos ricos para dar aos pobres de acesso.

Marcadores: , , , , ,



quarta-feira, janeiro 16, 2008

Redes Sociais, a sala de aula e outros espaços


Há um pouco de confusão quando se começa a falar de redes sociais. No Brasil, muita gente entende direto "Orkut". Outros, com uma leitura mais abrangente, geralmente pesquisadores, vão além dos sites ou sistemas de redes sociais (SRS), como o Orkut, Facebook , ... , e distinguem: rede, rede social, sistema de rede social e outras nomenclaturas encontradas por aí.

Porém, quando se compara uma rede social formada por blogs, suas postagens, comentários, rss, trackbacks, backlinks, com sistemas como o Orkut, por exemplo, as diferenças logo aparecem, até para quem ainda não pensou sobre isso. Blogs e outros aplicativos dinâmicos de publicação tendem a formar redes sociais abertas e, em parte, muito instáveis. O diálogo permanente (ou o silêncio) alteram a cada momento a estrutura da rede.

Já os SRS fixam, de certa maneira, uma rede nem sempre coincidente com o diálogo travado por seus membros. Muitos perfis no Orkut lembram mais uma coleção de figurinhas do que um nó numa rede de conexões sociais, interativas, comunicativas. O nó fica mais evidente que a conexão.

Mas, antes que eu me perca na introdução e vá terminar em algum outro assunto, comunico que a inspiração para esta postagem veio daqui e daqui.

Danah Boyd comenta a discussão ancorada no The Economist sobre os sites de redes sociais e suas contribuições positivas (ou não) para a mudança nas metodologias educacionais dentro e fora da sala de aula. Ela, entre os prós e os contras, se posiciona dizendo que os SRS, no seu atual estado, não podem ser integrados diretamente à sala de aula. Diz que os SRS possibilitam um espaço que pode ser usado educacionalmente, mas que por si só não garantem isso. Os SRS oferecem mais uma alternativa de contato para a interação em redes de aprendizagem já existentes. Considera as suas possibilidades em relação aos aspectos educativos não-formais, como a sociabilidade, como os mais trabalhados nos SRS. Segue, trazendo algumas considerações interessantes, a partir da sua vivência e observação (interessante ler na íntegra o texto, que eu trago aqui apenas em parte).

Os Orkut da vida não seriam nem a panacéia e nem a possibilidade de um precipício educacional. Isso eu também penso, porém não concordo quando ela pontua uma neutralidade da tecnologia em si, salvaguardando esta de suas ligações/implicações no capitalismo. Aqui, eu lembrei de uma das citações mais citadas (e mal citadas) do Pierre Levy:
"A técnica em geral não é boa, nem má, nem neutra, nem necessária, nem invencível. É uma dimensão, recortada pela mente, de um devir heterogêneo e complexo na cidade do mundo."

Lembro, também, da advertência do Meszáros, contrariando o otimismo de Marx, sobre a persistência, no aparato tecnológico herdado de uma anterior formação social, de um fator trans-histórico que pode acorrentar a uma forma de pensamento passado.

Lembro, ainda, uma aula lá dos meus antigamentes, no Curso de Engenharia, quando estudávamos a disposição dos espaços e dos elementos construtivos: portas, janelas, espaço para a pia, geladeira, pontos de luz e força,..., numa cozinha. Esqueci o professor, mas não do que ele falou: "o projeto e a disposição destes elementos, condicionam a forma como vamos nos deslocar no espaço projetado e as atividades que poderemos realizar..."

A forma e o conteúdo atacando de novo. Eu já escrevi algumas vezes sobre isso e penso, sim, que a tecnologia criada na sociedade capitalista exerce muito do poder civilizatório do capitalismo. A minha dúvida (e, às vezes, a minha esperança) é saber se, mesmo assim, o uso destas tecnologias pode gerar alguns bons frutos numa outra direção.

Pulando esta parte, que pode render uma excelente discussão, fiquei aqui pensando (e vocês iam rir muito se soubessem onde eu estou, qual a tecnologia que estou usando para escrever e, ai..., o suporte... Contradições que eu conto lá no fim, acho... *) sobre as possibilidades para a educação (focando aqui a sala de aula) das redes sociais constituidas nos SRS (Orkut, por exemplo).

Considerando que são redes de certo modo fechadas (afinal, a gente precisa cadastro e senha para entrar e elas são invisíveis sem eles), considerando os limites do aplicativo em si, ... eu penso que, e aí concordo com a Danah Boyd, estas redes são um espaço a mais de socialização para as redes sociais já constituidas na escola, por ex. No meu entender, elas até expandem os limites desta sociabilidade, dando espaço para conexões que o pouco espaço-tempo social da escola permite e dão um canal alternativo para outras habilidades sociais que não a presença/ação física e a conversa.

E a observação na convivência com os meus alunos no Orkut, nas comunidades: Basquete, CMPA, Amigos do Thibbes, ... e na rede de recados (scraps), têm me mostrado que a rede formada traz para a sala de aula uma articulação informal, que pode ampliar o alcance e a repercussão das coisas que são trabalhadas só no quadro de giz, a revelia, às vezes, dos professores.

No caso específico da comunidade do Basquete e de suas conexões com toda uma rede quase viral de recados, ela é um ponto de encontro e comunicação bastante visível, e não um espaço para desenvolver atividades específicas da minha quadra de aula. :) Porém, a sociabilidade, belicosa por vezes, e os outros valores que certamente vão influenciar a minha quadra de aula, a competição desportiva e a vida de todos nós, costumam aparecer muito por lá. Neste sentido, o blog do Basquete, que poderia ser o aglutinador desta rede social, é mais um jornal. (os porquês disso renderiam um bom post)

Bom, ... mas o que isso tem a ver com 'Edu blogs: reflexão ou blá blá blá psitacídeo?' ?

Tem a ver que esta minha postagem pode e deve ser relativizada em alguns aspectos. Um deles é que, na realidade, eu não penso que se deva catalogar o que é um edublog e o que não é um edublog. Bater nesta tecla foi uma forma de provocar a atenção sobre a questão da reflexão pessoal/autoral nos blogs de professores. Bancar a dona da verdade, às vezes, pode ser útil.

- Então por que não falou isso lá??? - pergunta alguém.
- Porque aí não teria causado o efeito que causou.

E os efeitos foram mais fora da rede de postagem/comentários/outras postagens. Porém, entre falas e silêncios, quem leu, certamente olhou para si mesmo. Pena que os auto-referente, que caberiam certinho sob o boné, não costumam ler :)

Agora, ... vale o que eu propus na postagem: criar um blog SEU, um espaço pessoal de aprendizagem, separado de projetos específicos, até para poder refletir melhor sobre eles.

* direto da reda, digo ..., da contradição...



update: chove muito em Capão... e meu escritório teve de ser transferido. Na foto, aparece a tecnologia bic de escrita, mas não o suporte. E este não conto mesmo :)

update 17/01: George Siemens entra no debate.

Marcadores: , , , , ,



domingo, janeiro 13, 2008

Edu blogs: reflexão ou blá blá blá psitacídeo?



Depois de falar um pouquinho sobre os 10 anos dos blogs, vou registrar aqui alguns pensamentos sobre a parte da blogosfera constituída pelos professores. Lá por 2001/2002 havia uma meia dúzia de blogs de professores, a maioria blogs pessoais que tratavam de tudo, inclusive da escola.

Para mim estes eram e ainda são os legítimos edublogs. Um grande número dos que vieram depois ou já vinham com pretensões de grande midia, de ser O espaço e O formador de opinião sobre determinado assunto, ou vinham direcionados a projetos específicos da escola.

Os primeiros entraram na onda dos contadores de acesso, da romaria de visitas e comentários para gerar tráfego no seu blog, da divulgação exaustiva das postagens nas listas de discussão.

Os segundos, mais humildes, nem se entendiam como publicação e ficavam circunscritos a comunidade escolar. Estes careciam e ainda carecem de uma reflexão mais forte sobre a própria prática.

Atualmente, existe um híbrido destes dois tipos, que no meu entender piorou o status dos edublogs: o blog de projeto de escola ou temático, cujo proprietário divulga cada postagem feita e que se preocupa em demasia com a quantidade de acessos e outros rankings.

No meu entender, perdem em grande parte a possibilidade que um blog traz de registro da reflexão sobre a prática, da teorização, da exotopia sobre a própria atividade do blog. São blogs que quase que somente anunciam (reanunciam, neh) o que a midia já publicou. Ou que relatam ou são suporte de práticas e projetos, mas sem que em nenhum momento ocorra uma reflexão sobre as práticas e projetos.

São blogs que pouco dizem do seu dono, pois o relato pessoal, a mescla do pessoal com o profissional não ocorre. São páginas que não motivam o diálogo e, um acesso aos comentários, mostra que as visitas não interagem com o conteúdo. São retribuições ou quase convites.

Talvez, este status da edublogosfera seja fruto do contato com as outras blogosferas e uma coisa que possa ainda ser corrigida. Nada contra a eventual postagem de notícias ou reprodução de textos. Porém, penso que no interesse de desenvolvimento de uma edublogosfera, nós professores poderíamos pensar em:

1 - ter um blog pessoal, onde os assuntos fossem TODOS, mas com um grande espaço para: refletir sobre a sua prática social, sobre seu trabalho e sua vida, para escrever de modo crítico sobre o que lê, para dialogar com outros blogs, para ser um registro histórico de sua aprendizagem na rede. Um blog que se desenvolva como um ambiente pessoal de aprendizagem.

2 - separar o blog anterior de blogs específicos de projetos na escola ou outros projetos. Embora o blog pessoal possa falar destes outros blogs e de seus projetos, sobretudo aprofundando a reflexão, afrouxando a formalidade de avaliações e objetivos.

3 - Distribuir o conteúdo de seus blogs por rss/atom e usar um agregador de conteúdo que possibilite socializar, recomendar leituras e, deste modo, incentivar a formação de redes sociais.

Que acham?

em tempo:
Este meu blog que nos antigamente se chamava Onde anda Su? sempre tentou ser um blog pessoal e, também: agregar valor à informação e não ser um mero papagaio da grande, média e pequena midia.

O blog do professor Sérgio Lima e o da professora Raquel Recuero, por exemplo, são blogs que mesclam o pessoal, o profissional, a crítica, a reflexão e, com isso, motivam o diálogo.

em tempo 2: para atingir um maior número de professores vou fazer algo que neste mesmo post eu condeno: vou divulgar a postagem numa lista de discussão. Desculpem a contradição, mas é por uma boa causa: a de incentivar a formação da rede via blogs + rss.

Marcadores: , , ,



sexta-feira, janeiro 11, 2008

Blogs, dez anos e....



Nestes últimos dias andei refletindo e conversando sobre os blogs e outras possibilidades de interação na rede. Mais precisamente sobre os blogs mesmo, que fizeram dez anos de existência oficial em dezembro.

Como sempre a história é a história contada por alguém, geralmente a história dos vencedores e, muito frequentemente, a história de quem gritar mais e mais alto. Porém, controvérsias a parte, os blogs já tem dez anos e, neste tempo, assumiram exatamente aquilo que alguns poucos previam em 2001.

Se o primeiro blog foi tatuado na parede pela primeira família na primeira caverna ou se foi a primeira página de Tim Berners Lee ou, ainda, se foi os comentários e links do What Is New, não vem muito ao caso, a não ser como exercício arqueológico. [3]

Eu os encontrei em 2001, firmei a minha atenção sobre eles em 2002/2003, no projeto de mestrado e no primeiro artigo que escrevi sobre os weblogs (no final de 2002, acho) já antevia o seu provável 'estouro' como, de fato aconteceu em 2004.

Nesse artigo, procurei proporcionar uma visão geral sobre os weblogs, uma tecnologia de publicação digital, que pode ser considerada uma tecnologia educacional. Uma visão que suscitasse a curiosidade de educadores e pesquisadores e que capturasse o seu olhar e a sua atenção. Penso que continuaremos assistindo o crescimento rápido e consistente dos weblogs e de todos os meios a eles associados ou incorporados, como, por exemplo, as tecnologias wireless (sem fio). [1]

Uma previsão que seria meio óbvia no início de 2004 para quem acompanhava o dia-dia dos blogs. No final de 2002, início de 2003 muito pouco se encontrava escrito sobre weblogs.

Pois é, aí estão os blogs, firmando seu espaço entre a mídia tradicional, inclusive a grande. Cooptados já que não podem ser calados. Assumindo ares que, em alguns casos, poderão comprometer o seu grande potencial de diálogo.

Que os próximos dez anos consolidem o seu grande potencial para a formação de rede, a sua característica de bazar e não de catedral, o seu ar alternativo, o seu jeito hacker.

E que se finem os aprendizes de marketeiros, fissurados nos números de acessos e nos rankings, que espanam para o lado a conversa, em cujos blogs cada link é um contrato e não uma mão estendida.

Que se danem também os professores que tentam domesticar o blog como "ferramenta de ensino", que usam os blogs para postar as mesmas tarefas que escreviam no quadro de giz.

E que estes próximos dez anos wikifiquem os blogs, aumentem o seu poder comunicativo, ampliem o seu diálogo com outros aplicativos, e os transformem, cada vez mais, em ambientes pessoais, mas colaborativos, de aprendizagem. [2]

[1] GUTIERREZ, Suzana. O Fenômeno dos Weblogs: as Possibilidades Trazidas por uma Tecnologia de Publicação na Internet. Informática na Educação: teoria & prática. Porto Alegre, v. 6, n. 1, p. 87-100, jan-jun, 2003.

[2] esta última parte é a minha pré "visão" para os próximos anos.

[3] Uma listinha arqueológica para visitar:

24 Hours of Democracy
CamWorld - em junho de 1997
Robot Wisdom - Jorn Barger
Diário da Megalópole - NemoNox
Scripting News - em 1998

Marcadores: , ,



sábado, janeiro 05, 2008

A aprendizagem em 2008



What are your Predictions for Learning in 2008?

ou

Quais as suas previsões para a Aprendizagem em 2008?


Para responder esta questão, proposta pelo Learning Circuits, é necessário ter o despreedimento de dizer coisas que, daqui uns meses, poderão levar a tag "bobagens". Como isso não é nem um pouco incomum na minha vida, vamos lá.

Eu penso que em 2008 continuará a tendência da valorização e do incentivo da aprendizagem nos espaços não formais. É uma tendência que vem se firmando faz tempo e que está conquistando cada vez mais a atenção dos professores, por exemplo.

A aprendizagem online também deverá aumentar, conforme aumenta o uso das tecnologias da informação e da comuicação nas escolas. Sites de redes sociais (Orkut), mensagens instantâneas, blogs, wikis, agregadores e o email serão mais usados por professores e alunos.

Apesar das leis contra o uso dos telefones móveis em sala de aula, penso que a educação começará a perceber as potencialidades destes aparelhos no contexto educativo: comunicação, uso de imagem, documentação, mapeamento e , até, cinema.

Dando força para as previsões anteriores, crescerá a mobilidade com a disseminação das conexões sem fio e o barateamento de hardwares mais móveis (notebooks, pdas, smartphones, ...)

Esta foi a questão do mês, proposta por Tony Karrer do Learning Circuits.

Proponho aos meus leitores responder, considerando o contexto brasileiro ou, até, regional. Copiem o logo, postem a resposta e linkem a postagem original do Learning Circuits e esta minha postagem, para criarmos a rede nacional da bola de cristal na educação :)

Me avisem nos comentários deste post que eu linkarei aqui mesmo as respostas:

Marcadores: , , , , , ,



sexta-feira, dezembro 14, 2007

comentarios...


Feitos por aqui ou por ali:

......Para o Idelber no Biscoito Fino e a Massa, excelente post (poste?):

Estou aqui no intuito de "abiscoitar" o doce. Mentira! Vim aqui teleguiada pela expressão "porta-seios" que instantaneamente me remete a minha tia Alba que, num distante carnaval, revistou todo um bloco de drag quens (qual o termo em português mesmo, hein hein, deputado?), em busca de "seu porta-seio e sua cinta" infamemente furtados do varal.

......Para as minhas e meu orientandos no PROA, genericamente:

Guarda com carinho esta experiência e continua envolvida com as coisas que aprendestes neste curso, mantém o teu blog :) Aproveita para relatar lá a tua experiência e transforma aquele espaço num lugar onde podes agregar toda a tua aprendizagem e um meio de integrar esta grande rede.

......Para os meus guris no Orkut, na comunidade:

o bom da vida é ver que muitas coisas nunca mudam :)))

CIUMENTOS!!!

Marcadores: , , ,



sexta-feira, dezembro 07, 2007

Coisas da web



Se tem uma coisa que adoro fazer é achar, colecionar e, na maioria das vezes, nunca usar e esquecer, os interessantes (e gratuitos, é claro) aplicativos (ou serviços) que toda hora estão sendo criados e colocados na rede.

Por aí que achei:

Post-it Generator (plus tabajara's memory organizator) >> um gerador de imagens de blocos de recados. << bah custei a achar um nome para isso.

MorgueFile: arquivo de imagens, com buscador e com informações sobre o autor para referência. Aqui a postagem de Garr Reynolds de onde retirei este entre outros tantos arquivos de imagens.

PicNic: Não, não é pausa para o lanche. É um editor web para fotos, no qual se pode editar (muitas ferramentas), salvar para o computador ou em albuns do Flickr, Picasa e outros. É possível enviar para sítios e blogs via email (Blogger, por ex). É preciso cadastro (gratuito).

Marcadores: , , , , , , , ,



quarta-feira, dezembro 05, 2007

direto do google reader



Depois de meses sem ter tempo para ler MESMO o que anda rolando pela blogosfera, estou tendo alguns momentos onde posso ficar vagabundeando por meus sítios preferidos. Se, há algum tempo atrás, este blog era considerado vanguarda no lançamento das últimas novidades na área das tecnologias da informação e da comunicação, principalmente às mais ligadas à educação, agora ele é um exemplo de defasagem :)

Mas..., isso sempre pode mudar e a idéia é focar mais no meu doutorado e tentar não deixar a roda do tempo me tirar de circulação como aconteceu este ano.

Assim, aproveito estas resoluções para 2008 e começo a postar algumas das coisas que li, mas não registrei :)

José Luis Orihuela - conselhos aos alunos que estão iniciando o curso Documentação Informativa, mas que servem para qualquer curso sobre tecnologias:

1. Especializa-te em temas e não em meios.
2. Aprende a converter as tuas idéias em projetos
3. Aprende a converter teus projetos em negócios (* aqui eu relativizaria...)
4. Concentra-te na linguagem e na narrativa e não na tecnologia (* eu adicionaria: sem perder de vista o contexto onde elas se inserem)
5. Começa a construir a tua identidade profissional agora
6. Aprende a trabalhar com outras pessoas
7. Aprende a pensar criativamente
8. Aprende a trabalhar rápido e bem
9. Comece um blog (*mas não perca mais tempo com a forma do que com o conteúdo)
10. Pergunte

Aplicativos:

Nirudia - um fotolog que une imagens + tags (marcadores) + Google Maps. Mais uma alternativa para fazer atividades colaborativas.

Thumbalizr - aplicativo web que captura a imagem de páginas na web. (a imagem desta postagem é um exemplo)

Software Livre para a criação de livros - tradução dos Profs Ezequiel e Gilian. >> link no Escola.br

...

Marcadores: , , , , ,



domingo, agosto 05, 2007

Educação, agregadores e ambientes de aprendizagem**


Comecei a usar agregadores em 2003, na época em que rssficar um blog era ainda artesanal. Usei inicialmente o NewsDesk e, mais tarde, o Sharpreader. Fiquei bons anos no Bloglines e, agora, venho usando o Google Reader, para testar e, também, porque me deu a maior preguiça de ajeitar a miscelânea de links no meu Bloglines.

Hoje, usar um agregador para ler conteúdo na web ainda é algo novo para educadores e para o usuário comum. Mesmo que a agregação/distribuição de conteúdo venha mais nitidamente associada com os navegadores e com os blogs.

Falando nisso, estes dias me dei conta de como, em 2002, fui visionária (eu e alguns poucos no Brasil) ao iniciar a pesquisa sobre os blogs e de como eles previsivelmente explodiram em 2004 e estão se tornando material didático essencial para professores em 2007.

E, também, de como fui paciente ao resistir às críticas veladas (ou não) e a falta de escuta quando apresentei meus primeiros trabalhos sobre blogs e rss. Muitos daqueles e daquelas que com um sorrisinho irônico descartaram sumariamente o que eu estava trazendo, hoje se intitulam blogueiros e não vivem sem um wiki :)

Pois é, para mim os ambientes virtuais de aprendizagem fechados estão com os dias contados. Veremos cada vez mais a distinção entre uma educação online* "emissor-receptor", aquela onde os professores postam documentos em MSWord contendo "instruções" e os alunos devolvem outros documentos iguais contendo as respostas e uma educação online realmente de rede, onde blogs, wikis e outras páginas dinâmicas se interlikem e criem e recriem uma aprendizagem social, dialógica e colaborativa. Os ambientes fechados permanecerão apenas na medida em que a hegemonia do ensino-mercadoria tiver força e na medida em que os teóricos da ead que nunca viveram a rede decidirem as coisas.

*educação online pode não ser a expressão ideal aqui, mas é conhecida.
** não esperem muita coerência nesta postagem, eu estava pensando alto enquanto dava um novo lugar para o meu antigo bloglab...

Marcadores: , , , , ,



terça-feira, junho 12, 2007

Orkut + RSS


Novidades!

Não sei se tão novas, mas só vi ontem à noite :)

O Orkut está com uma espécie de agregador de conteúdo. No nosso perfil, na barra da direita, aparece um botão "editar feeds" (ou algo assim).

Clicando nele, entramos numa página onde aparecem os nossos blogs do blogger (que podem ser adicionados) e, bem embaixo, existe um campo onde colocar endereços de outros sítios/blogs.

Depois disso, eles aparecerão na barra lateral do perfil e, clicando neles, semelhantemente `qualquer agregador, aparecerão os últimos conteúdos postados.

Esta "conversa" entre aplicativos é característica do que hoje se chama web 2.0. E o Google, dono do blogger e do Orkut, naturalmente fez os dois conversarem mais ainda. As coisas continuam se aproximando no Google way of life. Breve teremos supermercado por rss via Orkut/Google, com direito de compartilhar os nossos pecados gastronômicos e a marca do papel higiênico preferido. (mas isso já assunto para uma outra postagem)



* fica com esta cara

Marcadores: , , ,



sábado, maio 19, 2007

a internet, o big brother pessoal e o segredo da sala de aula


Estes dias rolou lá no CM um papo interessante. Não foi exatamente estes dias, foi mais precisamente durante o Seminário de Educação. O assunto foi a possível super exposição pessoal causada pelo uso de blogs e assemelhados na educação.

Na hora, o assunto já transformou os conversadores em saudáveis defensores deste ou daquele lado. Alguns disseram coisas do tipo: estas ferramentas não tem como controlar e nossos alunos se colocarão em risco revelando informações que bandidos usarão... Ou: a exposição excessiva de coisas particulares poderá prejudicar a todos os envolvidos, mesmo a exposição de fatos e falas relacionados ao ensino...

Outros, tipo eu, falaram: somos pessoas públicas, isto é , eu ando na rua carregando a minha cara e estou aqui falando alto e não cochichando... ou: pensem em como as coisas que se ensina e aprende podem ser importantes fora do contexto da sala de aula, fora do contexto daquela ação...

Falamos, também das imagens, das fotos capturadas e divulgadas sem preocupação. Lembrei logo deste meu blog no qual a imagem anda substituindo o texto, não por qualquer objetivo expressivo, mas pela maior falta de tempo minhas, mesmo...

Todo este papo foi para rodear o assunto real desta postagem que é o segredo que envolve a sala de aula (até as virtuais). Ainda é muito presente a idéia de que o que se passa na sala de aula seja assunto apenas de quem está lá dentro, algo que desaparece quando os livros se fecham e o quadro é apagado. Desaparece do mundo, mas deve ficar indelevelmente marcado na mente dos que terão de devolver tudo direitinho como foi passado na prova bimestral.

Permanece, também, a idéia de que o conhecimento é algo que deve ser regulado por aquele que entrega o conhecimento, o professor, sob o comando daquele que vende o conhecimento, a escola. A lógica que diz que aquilo que eu sei é mercadoria ou moeda, é algo que devo negociar e não compartilhar. E que, segundo os Conselhos desta ou daquela profissão, é um território perfeitamernte demarcado, cuja entrada é proibida a quem não tem a carteirinha.

Em parte, esta lógica é responsável pela resistência à sala de aula aberta, ao uso de ambientes virtuais abertos, ao trabalho interdisciplinar. No meu entender, é principalmente esta lógica que faz um professor ou a escola considerar um blog uma superexposição perigosa. O mesmo professor que se queixa da falta de solidariedade entre os alunos que não auxiliam os colegas e não conseguem trabalhar em grupo.

Mas hoje é sábado e eu estou filosofando de pijama, conversando pela rede com meus alunos (outro pecado), deixando pistas do que sou e do que faço. Lá fora tem sol, não está muito frio e tem uma bola de basquete me olhando de debaixo da escrivaninha. Vou?

update 23:29 >> Não fui...
Mas deixa pra lá que esta atualização é só para postar o link para o comentário da Cláudia que está bem melhor que o meu post. :)

Marcadores: , , ,



segunda-feira, abril 30, 2007

web what?


Quando, em 2002, eu comecei a pesquisar os blogs, não havia quase nenhum material nacional sobre eles. Já havia uma boa quantidade de blogs (nada comparado com a explosão posterior, do final de 2004), mas nada escrito sobre eles. O pouco material que achei foi em inglês e nada muito desenvolvido. Eram idéias de alguns que começavam a pensar os blogs, além de usá-los. Em 2003 e 2004, quando desenvolvi minha pesquisa sobre eles no mestrado, encontrei barreiras, críticas quase sempre questões como:

Por que vais pesquisar uma coisa que daqui uns meses pode não existir mais, como tantas ondas que surgem e se vão? A minha aposta era que a onda viera para ficar. Minha banca de qualificação do projeto de mestrado acreditou em mim, tanto que achou que isso era uma tese. Por motivos de foro :) trabalhista acabei fazendo uma tese de mestrado.

Neste últimos anos os blogs se consolidaram com o espaço de autoria e de expressão pessoal e livre, surgiram os wikis transgredindo mais uma vez as formas de apropriação da escrita e da autoria. As tags e os links sociais (del.icio.us), o compartilhamento de imagens (flickr, youtube), tudo apontando para uma revolução na web (mais uma!), a web chamada 2.0, uma nova versão da web.

E a web 2.o com seus aplicativos conversadores ganhou as graças da mídia (até porque deu uma cabeçada a la Zidane nos peitos da mídia tradicional e nem tão tradicional) e hoje já falamos em web 3.0. Nisto tudo, a educação (e suas personificações na academia e nas escolas), que torceu o nariz para os blogs, que olhou com cara de "ela é louca" quando (em 2004) apresentei um artigo falando das possibilidades da agregação de conteúdo (rss) em educação, vem engatinhando ainda. As mãos apoiadas na web 2.0, mas os pés ancorados firmemente na web 1.0, ou (pior!) até nas eras educacionais pré-web.

Enquanto o ensino online ainda segue moldes Lancasterianos e o modo dissociado de emissor/receptor ainda é maioria, alguns educadores se esforçam em transformar as coisas, trazer a academia para a rede e a rede para a academia, linkar pessoas e projetos e não fechá-los em núcleos e qualis, em AVAs recheados de .docs. Poderão eles alguma coisa? Ou terão de chamar o Chapolim Colorado para os proteger e os livrar das prisões das verbas públicas para pesquisa e suas apostas cretinas em umbigos já muito conhecidos que estão reinventando a roda, digo, trabalhando na criação dO AVA? web what?

Pois é..., faz uns seis meses que eu ando quieta, desconfortável, mas alguma coisa está me parasitando...

Marcadores: , , ,



quarta-feira, setembro 14, 2005

novidades na blogosfera e adjacências


Só para registrar:

Google associa orkut com gmail e várias teorias conspiratórias circulam na blogosfera. mais infos no Estadão

E para aumentar ainda mais a abrangência, lança o Blog Search, sistema de busca específico para conteúdos em blogs. Numa olhada rápida dá para perceber que blogs 'blogspot' são os primeiros a aparecer.

enquanto isso... chove lá fora, está um frio danado e eu estou com sono e cheia de coisas para fazer.

Technorati Tags: , , , , , ,

Marcadores: , , , , , ,



segunda-feira, setembro 05, 2005

Na dúvida, mundo se informa por blogs


Artigo da Folha de São Paulo enviado para a lista Intermezzo:

Se o 11 de Setembro foi o evento marcado pelos recados nos celulares e pelos e-mails enviados pelas vítimas e o período oficial da Guerra do Iraque não viu mais do que meia dúzia de diários virtuais narrarem os acontecimentos do front (como Salam Pax), a tragédia do furacão Katrina entrará para a história como o dia em que a imprensa tradicional cedeu lugar aos blogs.

:: leia mais

No final da reportagem a comprovação do eu falei num post anterior:

Idelber Avelar, fez de seu O Biscoito Fino e a Massa um necessário centro de divulgação de nomes de pessoas, a maioria brasileiros, que se encontravam no centro do furacão e, passado o pior, já deram sinal de vida ou continuam desaparecidas.

update >> Neste tema, uma lista de blogs e outros elaborada pela Denise:

  • Notícias da Destruição em New Orleans - Biscoito Fino.
  • Política de Bush Agrava Desastre do Katrina - Stuck in Sac.
  • Qual é a graça, smirking chimp? - Stuck in Sac.
  • O Haiti é ali - Trovas & Trombos.
  • Save N.O. - Lixo Tipo Especial.
  • Hurricane Katrina, 5 dias depois - Coisas da Laurinha.
  • Race and Class - (P)arte.
  • Solidarité e Fraternité - (P)arte.
  • Katrina - Diario de Bordo.
  • When the levee breaks (ou Ensaio sobre a Cegueira) - Número 12.
  • Muddy Water - Pecus Billis
  • A história de Alex e Oliver em New Orleans - LLL.
  • Esbranquiçamento de corais e aquecimento global - Lucia Malla.
  • Incompetência, descaso, ou ambos? - Nemo Nox.
  • Carta de Michael Moore a Bush - Nothing simple is ever easy.
  • Their potato is baking - Smart Shade of Blue.

  • Technorati Tags: ,

    Marcadores: , ,



    quinta-feira, setembro 01, 2005

    BLOGDAY


    Apesar de eu encontrar um dia do blog meio parado, acho que vale a pena aderir ao chamamento e recomendar aqui cinco blogs para que os meus cinco leitores acessem.
    Meu critério de escolha não é indicar os blogs que eu leio mais seguidamente, nem os favoritos neste ou naquele assunto. Pensei em indicar blogs que não tenham sido comentados aqui antes e que eu penso que merecem muitas visitas pela qualidade da produção de seus autores.
    Diário de Bordo - O blog pessoal do Marcelo Cabral, onde ele fala de tudo um pouco. É bom conhecer melhor o autor de um aplicativo que é a alegria de milhões de blogueiros . Software brasileiro que ganha o mundo, o wbloggar.

    O Militante Imaginário - Para descrever este blog uso as palavras do seu autor, Claudio Duarte: O imaginário é real, um fato e um fator, isto é, um gerador de fatos materiais precisos. É um nível concreto, essencial, da práxis social total. É no campo do imaginário-simbólico - e do teórico que o formula - que se legitimam e se re-produzem as taras fetichistas da sociedade da mercadoria - meio onde também se pode fazer sua crítica imanente radical. [...] É nesse campo de disputa aberta que a luta objetiva, hoje praticamente paralisada ou bloqueada, pode encontrar seus pares, criando novos caminhos, novos temas de crítica e práxis, uma nova linguagem e, assim, deixar de ser mera "imaginação".

    Cibercast - Blog de podcasts elaborados pelo Centro Internacional de Estudos e Pesquisa em Cibercultura. Por André Lemos e Equipe.

    COMCULT - Comunicação, cultura e política, blog de Dênis de Moraes, onde a coletânea de artigos, textos e entrevistas nos convida à reflexão e ao debate.

    Vida de Professor - Rafael Robles escreve sobre o ser professor em diferentes contextos. Da República Dominicana, do Haiti, do Irã.

    Estes são os blogs recomendados deste BlogDay :)

    Technorati Tags: , ,

    Marcadores: , ,



    quarta-feira, agosto 31, 2005

    BLOGDAY


    Apesar de eu encontrar um dia do blog meio parado, acho que vale a pena aderir ao chamamento e recomendar aqui cinco blogs para que os meus cinco leitores acessem.
    Meu critério de escolha não é indicar os blogs que eu leio mais seguidamente, nem os favoritos neste ou naquele assunto. Pensei em indicar blogs que não tenham sido comentados aqui antes e que eu penso que merecem muitas visitas pela qualidade da produção de seus autores.

    Diário de Bordo - O blog pessoal do Marcelo Cabral, onde ele fala de tudo um pouco. É bom conhecer melhor o autor de um aplicativo que é a alegria de milhões de blogueiros . Software brasileiro que ganha o mundo, o wbloggar.

    O Militante Imaginário - Para descrever este blog uso as palavras do seu autor, Claudio Duarte: O imaginário é real, um fato e um fator, isto é, um gerador de fatos materiais precisos. É um nível concreto, essencial, da práxis social total. É no campo do imaginário-simbólico - e do teórico que o formula - que se legitimam e se re-produzem as taras fetichistas da sociedade da mercadoria - meio onde também se pode fazer sua crítica imanente radical. [...] É nesse campo de disputa aberta que a luta objetiva, hoje praticamente paralisada ou bloqueada, pode encontrar seus pares, criando novos caminhos, novos temas de crítica e práxis, uma nova linguagem e, assim, deixar de ser mera "imaginação".

    Cibercast - Blog de podcasts elaborados pelo Centro Internacional de Estudos e Pesquisa em Cibercultura. Por André Lemos e Equipe.

    COMCULT - Comunicação, cultura e política, blog de Dênis de Moraes, onde a coletânea de artigos, textos e entrevistas nos convida à reflexão e ao debate.

    Vida de Professor - Rafael Robles escreve sobre o ser professor em diferentes contextos. Da República Dominicana, do Haiti, do Irã.

    Estes são os blogs recomendados deste BlogDay :)

    Technorati Tags: , ,

    Marcadores: , ,