Eutanásia - desligue os aparelhos, pai, que eu sou nativa
Ontem, uma conversa leve com meu pai se transformou num assunto sério. Não sei de onde o assunto deu uma volta e começamos a falar sobre a vida e a morte.
Sintetizando as minhas idéias sobre o tema, eu deixei claro:
- Se algo me acontecer, não quero viver presa a aparelhos, pois isso não é viver. Nunca me deixe vegetar, alimentada por tubos, monitorada por máquinas! Se eu chegar neste estado, pai, desliga tudo, pois prefiro morrer.
Aí, o meu papai me lançou aquele olhar que eu conheço desde que abri os olhos pela primeira vez,levantou da cadeira e andou em minha direção. Retirou o notebook de meu colo, desligou da rede; pegou o Ipod, o pen drive e o telefone móvel que estavam ao meu lado e colocou no bolso; catou os controles remotos e desligou a TV e o DVD. Puxou o telefone fixo da tomada e complementou pondo no lixo todas as cervejas e as Bono Morango.
As transmissões não estão muito boas, como quase sempre acontece em eventos assim. Nem sempre a tecnologia coopera. E o analógico costuma se vingar nestas ocasiões.
Interessante o acompanhamento via Twitter. Alguns parceiros de twitagem: @raquelrecuero, @liliansta, @adriamaral estão transmitindo pequenos flashs das palestras e esclarecendo aquilo que perdemos na transmissão. Junto com isso vem o comentário, a conversa sobre os temas desenvolvidos.
E, acionando o #abciber nas conversas, logo o meu twitter começou a receber followers. Informação contamina.
O que me chama a atenção é a permeabilidade dos diversos espaço-tempos envolvidos: estou sentada na sala, laptop no colo, escrevendo este post, conversando com meu filho, ouvindo a palestra (mal), televisão ligada no resumo esportivo do futebol da semana e, incrivelmente, pensando. << Isso aqui é um campo de estudos e tanto. Esta divisão, ou seria hibridação, da atenção e suas consequencias.
Este é o início do artigo escrito por Kate Kelland para a Reuters UK:
"Pode parecer algum dialeto tribal, mas qualquer representante da cultura jovem não terá problema algum em traduzir e responder à altura. Uma nova linguagem está se desenvolvendo por meio dos telefones móveis e dos adolescentes fanáticos por eles,. Uma linguagem baseada no texto preditivo gerado pela pressão das teclas do telefone."
(está em inglês e a tradução acima é minha e bem livre...)
A Raquel começou e a Adriana está seguindo o rastro. Publicar listas de referências sobre determinados temas pode ser uma coisa muito interessante para os pesquisadores mais online do Brasil.
E se for de forma colaborativa, à la wikipedia, melhor. E se alguém mais dos códigos resolver se puxar, poderá ter até um sistema de resenhas e de avaliações pelos pares acoplado.
O que é? Bom, ... a Raquel está construindo uma lista de artigos, textos, etc sobre blogs e a Adriana está fazendo o mesmo em cyberpunk e sci-fi.
Eu não estou fazendo nada :) , mas estou propondo ampliar a idéia, juntar as listas num wiki só e adicionar mais gente à proposta. Teremos uma biblioteca de referências em cibercultura, comunicação, educação, cultura, ... em vários temas.
A foto? Ah... a foto é para mostrar duas coisas:
- algum teor etílico não atrapalha o raciocínio, embora atrapalhe o uso do teclado. - ninguém está mesmo a salvo...
Semana passada tive de trocar as senhas públicas do Vamos Blogar? porque um idiota entendeu de colocar lá links remetendo para páginas com vírus. A sorte é que, em sendo um idiota, simplesmente copiou e colou estes emails de virus que recebemos todos os dias. Um amador. Qualquer cracker teria posto uma atraente mensagem combinando com o conteúdo do blog, que atrairia muitos cliques. Assim, o que era para ser um projeto aberto e colaborativo, resta colaborativo, porém menos aberto, pois os participantes terão de usar senhas próprias para postar e as postagens por email não existirão mais.
Parece que o vandalismo da web é o mesmo que assola as ruas, onde aquilo que é de todos é destruído com prazer por poucos. E eu nem vou entrar, neste momento, na idéia de pensar as causas deste destruir por destruir. Já chegam as conseqüências.
Conseqüências que atingem agora a Wikipedia, onde seu fundador pensa em impor algumas regras editoriais para evitar o vandalismo. Em entrevista ele aponta a necessidade de achar um ponto de equilíbrio entre proteger as páginas e fornecer acesso aberto a todos. Uma idéia é de bloquear as páginas onde o conteúdo seja considerado bom o suficiente para permanecer estático.
Um risco no total, pois os critérios e os donos dos critérios deste "bom o suficiente" serão possivelmente muito discutíveis. Além disso, aponta para uma finalidade estática naquilo que deveria ser um projeto sempre dinâmico e inacabado, pois as páginas permaneceriam dinâmicas enquanto "discutíveis".
No meu entender, por aqui se perderia a essência do projeto que, além da colaboração, é o inacabamento. Seria mais uma fonte de conteúdo quase que cristalizada e sujeita as picuinhas editoriais que conhecemos tão bem.
A todo momento estamos conhecendo novos blogs e os seus blogueiros maravilhosos :) Assim entendi a seção Blogs da Semana do Inagaki. Estou estudando um jeito de fazer algo parecido aqui sem ter de editar o template.
Hoje conheci dois blogs que chegaram por uma dica numa lista de discussão. Obrigada, Mary Grace!
O Louza Digital me levou ao Intermezzo. Aproveitei para convidar a Sônia, blogueira do Lousa Digital para participar do Vamos Blogar?. Espero que ela aceite, pois terá muito à contribuir.
O Intermezzo é um blog colaborativo ao estilo do Blogólogo, mas com mais pique. Postagens abundantes e bem consistentes e participação internacional. Seu assunto? A blogosfera, entre outras coisas.