segunda-feira, setembro 05, 2005

Na dúvida, mundo se informa por blogs


Artigo da Folha de São Paulo enviado para a lista Intermezzo:

Se o 11 de Setembro foi o evento marcado pelos recados nos celulares e pelos e-mails enviados pelas vítimas e o período oficial da Guerra do Iraque não viu mais do que meia dúzia de diários virtuais narrarem os acontecimentos do front (como Salam Pax), a tragédia do furacão Katrina entrará para a história como o dia em que a imprensa tradicional cedeu lugar aos blogs.

:: leia mais

No final da reportagem a comprovação do eu falei num post anterior:

Idelber Avelar, fez de seu O Biscoito Fino e a Massa um necessário centro de divulgação de nomes de pessoas, a maioria brasileiros, que se encontravam no centro do furacão e, passado o pior, já deram sinal de vida ou continuam desaparecidas.

update >> Neste tema, uma lista de blogs e outros elaborada pela Denise:

  • Notícias da Destruição em New Orleans - Biscoito Fino.
  • Política de Bush Agrava Desastre do Katrina - Stuck in Sac.
  • Qual é a graça, smirking chimp? - Stuck in Sac.
  • O Haiti é ali - Trovas & Trombos.
  • Save N.O. - Lixo Tipo Especial.
  • Hurricane Katrina, 5 dias depois - Coisas da Laurinha.
  • Race and Class - (P)arte.
  • Solidarité e Fraternité - (P)arte.
  • Katrina - Diario de Bordo.
  • When the levee breaks (ou Ensaio sobre a Cegueira) - Número 12.
  • Muddy Water - Pecus Billis
  • A história de Alex e Oliver em New Orleans - LLL.
  • Esbranquiçamento de corais e aquecimento global - Lucia Malla.
  • Incompetência, descaso, ou ambos? - Nemo Nox.
  • Carta de Michael Moore a Bush - Nothing simple is ever easy.
  • Their potato is baking - Smart Shade of Blue.

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    domingo, setembro 04, 2005

    Mapa de informações sobre o Katrina e suas conseqüências



    katrina map, postada por suzzinha.

    O povo das cidades atingidas pelo furacão podem usar este mapa para adicionar informações sobre as condições de diversos pontos das cidades, bem como sobre pessoas desaparecidas e outras informações relevantes. Apenas pede-se que não sejam adicionados pedidos de informação. Um interessnate uso da tecnologia. [mais informações em http://www.scipionus.com/]

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    uma questão de classe


    Li, principalmente em weblogs, alguma coisa sobre o furacão Katrina e todo o desastre que está acontecendo em New Orleans. Assisti os noticiários na TV, mostrando imagens da destruição da cidade e do sofrimento a que estão submetidos seus habitantes.

    Li, também, as emocionadas críticas ao governo dos USA sobre a incompetência e o descaso no socorro às vítimas e, posteriormente, no acolhimento e tratamento dos desabrigados. Li sobre as diferenças de tratamento dos fatos pela imprensa oficial, onde na cata por alimento e água os brancos acham e os negros saqueiam. Aliás, nas imagens da TV quase que só aparecem negros. Embora apenas 30% da população seja de brancos, é surpreendente que quase não apareçam nas imagens.

    Antes e além do racismo envolvido em todo estes tristes acontecimentos está estampada claramente a questão de classe. Quem historicamente não tem facilidade em acessar certos bens (inclusive comida) é tido como assaltante numa situação onde estes bens não estão acessíveis para ninguém. Então, quem na situação normal é reconhecido como quem pode pagar, acha; quem na situação normal é reconhecido como aquele que não pode pagar, saqueia; isso na situação onde qualquer um está tentando sobreviver.

    Aqueles que entendem os USA como um lugar onde os direitos são respeitados, onde uma vida digna está acessível à todos, onde a democracia é exemplo, devem observar em detalhes este desastre em New Orleans. Com todo o aparato tecnológico, os conhecimentos, a estratégia, as táticas preventivas (ops, acho que estas só se aplicam à guerra no quintal alheio), os pobres de New Orleans estão literalmente afundando sozinhos.
    Nesse sentido, Bush teve de ouvir Fidel Castro oferecer 1000 médicos e toneladas de remédio para ajudar New Orleans. Se achasse que é retórica ou oportunismo deveria aceitar.

    Estranhamente tudo isso me fez lembrar algumas palavras de um teórico muito amaldiçoado até pela esquerda:

    Mas, para um marxista, é impossível fazer uma análise sem uma caracterização de classe do fenômeno considerado. Os sistemas ósseo e muscular não esgotam a anatomia de um animal; no entanto, um tratado de anatomia que tentasse abstrair-se dos ossos e dos músculos, ficaria balançando no ar. A guerra não é um órgão, mas uma função da sociedade, quer dizer, da sua classe dominante. É impossível definir e estudar uma função sem compreender o órgão, quer dizer, o Estado; é impossível conseguir um entendimento científico do órgão sem compreender a estrutura geral do organismo, quer dizer, a sociedade. Os ossos e os músculos da sociedade estão construídos pelas forças produtivas e as relações (de propriedade) de classe. (TROTSKY, sd, p. 152)

    e são estes esqueletos que saem do armário nos momentos de crise.

    Para saber tudo sobre New Orleans, não leia a Zero Hora, nem o UOL, tratados de anatomia que esqueceram os ossos, leia o Idelber, jornalismo open source, como diria a Ana.

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