terça-feira, dezembro 02, 2008

wikis, blogs - autoria, autenticidade e controle


Em Dialética do Concreto, Kosík, fundamentado em Marx, diz que as coisas não são entregues a nossa compreensão instantaneamente. Explica que, embora usem o dinheiro, os homens não compreendem o dinheiro. O que ele chama de pseudoconcreticidade é uma camada que tem de ser rompida, não para encontrar algo novo que estava escondido, mas para dialéticamente poder compreender a realidade.

A escrita em wikis e blogs é bastante difundida e, inclusive, estudada. Porém, será que fora do âmbito de alguns estudos, as pessoas compreendem o uso dos blogs e wikis?

São tecnologias recentes, assim como bem recente é seu uso em educação, por exemplo. Inúmeros projetos envolvendo professores, alunos e escolas têm sido desenvolvidos. Porém, eu pergunto: em quantos destes projetos existiu a reflexão sobre os limites e as possibilidades (as contradições) do uso destas tecnologias?

Um wiki, originalmente, é uma página de edição aberta, coletiva, de autoria compartilhada. Quantos professores, alunos e instituições estão preparados para isso? Para compartilhar a autoria uns com os outros, para abrir mão de assinar seu texto?

Poucos. E é por isso que a maioria dos wikis de projetos educacionais não usa a edição aberta e compartilhada. Os wikis têm senhas, usuários identificados. São, enfim, controlados.

Quase todos ficam preocupados com o conteúdo, com a correção da língua, com as pixações que normalmente acontecem em wikis (as intencionais e as acidentais). O mesmo vale para os blogs e eu mesma passei por estas preocupações tempos atrás.

Se, por um lado, controlar mantém uma certa ordem (ou uma ordem considerada certa...), por outro perde-se momentos de rica aprendizagem. De discutir a produção coletiva, a colaboração, o despreendimento da identificação individual. De conversar sobre o anonimato, a autenticidade e a autoria nas situações que ocorrem na produção dos hipertextos.

Estão os professores preparados para isso? Ou os mecanismos de controle e a autoridade sobre o texto de todos são acionados cada vez que a situação for diferente do que o professor considera adequada? Aliás, quem determina (!) o que é adequado?

Considerando as experiências que tive com a utilização de wikis, observo que o mesmo professor (ou aluno) que fica histérico com a alteração ou a destruição de uma contribuição sua, é, em muitos casos, o mesmo que posta imagens e textos copiados de outros sites sem fazer referência da autoria. O que é, no meu entender, um incidente muito mais grave.

Na PEAD-UFRGS, tivemos a edição compartilhada (login compartilhado) de um wiki no qual quase 300 professores contribuíram. Imaginem todas as questões de autoria, pixação, vandalismo, até brigas .... Foi muito enriquecedor vivenciar esta experiência.

Mostrou que é equivocado tentar ficar 24h de plantão para manter o wiki na ordem que TU achas adequada. Proporcionou exercer a paciência e o acolhimento em relação a aprendizagem do outro, em relação aos limites da própria tecnologia e em relação às próprias falhas como professores.

O que seria mais urgente discutir com os alunos e colegas: o que é adequado e o que não é, as mazelas do anonimato e das pixações, o uso de textos/imagens de outros autores sem referência (plágio), os limites e possibilidades de cooperar?

E aí voltamos a reflexão sobre todos estes processos. Em que medida copiar, colar, plagiar, apagar, alterar no âmbito de um blog ou wiki de edição compartilhada são ações realmente compreendidas em todas as suas dimensões?

Eu penso que estes "problemas" são bem vindos quando trabalhamos em projetos com produção colaborativa\cooperativa. São bem vindos na medida que abrem espaço para discutir e refletir sobre estas questões e avançar no sentido de compreender a realidade.
* o texto é do Professor Marcelo, publicado "no lugar errado" e deletado (uma hora depois) em ser professor\ser professora. Um exemplo do que se perde...

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domingo, julho 27, 2003

caçadores de blogueiros


snif



Um serviço que disponibiliza aos seus clientes um blossier sobre escolhidos blogueiros.

Selecionam os gostos, preferências e interesses em várias áreas, suas idas e vindas, leitura, trabalho, ...

Um blog pode ser um panóptico voluntário...

Falando sério. Sorrateiramente os mecanismos de controle tendem a se implantar em todos os espaços. Usando das mais variadas fórmulas e com os mais variados motivos a nossa privacidade vai sendo invadida, vasculhada, vendida.

Ontem mesmo recebi uma ligação do telemarketing do City Bank me comunicando que um cartão eletrônico estava sendo enviado para mim. O telefonema era simplesmente para me avisar que o cartão vinha bloqueado para minha segurança e que, de imediato, eu deveria solicitar sua liberação. Tudo isso foi vomitado pela voz xarope da operadora antes que eu pudesse dizer ai.

Como era um sábado e eu estava com algum tempo resolvi questionar o desrespeito. Falei que não me enviassem cartão algum porque eu não havia solicitado. A operadora respondeu que isso era feito para saber se eu estava feliz com os serviços do City Bank. Eu repliquei que ficaria feliz com o serviço do banco se ele ficasse no seu lugar até ser solicitado e não invadisse a minha privacidade com telefonema ou cartões.

Nada como se ter tempo... Iniciei um papo dos mais chatos sobre privacidade, serviços, segurança. Algo assim meio maníaco.

Pedi o nome dela, o cargo, outros detalhes profissionais.

Quando pedi o RG e o CPF ela conseguiu respirar e largou o fatídico e musical:


- O City Bank agradece a sua atenção e tenha..............

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