No meu entender reinventar a sala de aula não quer dizer esquecer todas as nossas experiências, lançá-las num limbo pedagógico a espera de uma reinvenção futura. Reinventar a escola parte de conhecer o seu contexto e sua história, saber que o novo traz em si, indeléveis, as marcas daquilo que já foi.
Um movimento de reinvenção é, assim, dialético, consciente das contradições, aprendendo e compreendendo que todo o desafio é oportunidade e não obstáculo.
Porém, este título é da matéria de Aurea Lopes para a Revista A Rede. Com muita satisfação fiz parte da equipe entrevistada para a construção deste tema, juntamente com o Sérgio Lima, a Sonia Bertochi, Ana Carmen Foschini, Betina Von Staa.
Falamos de blogs e de novas experiências em sala de aula, dos desafios e das possibilidades de ousar inovar.
Para o professor é muito importante discutir suas práticas, receber a consideração e as críticas de seus pares sobre o trabalho realizado.
Gostei muito de fazer parte desta matéria e trazer um pouco das aventuras iniciais do Colégio Militar de Porto Alegre no mundo dos blogs e da educação em rede online.
A matéria construída por Luiz Eduardo Queiroz é bastante abrangente e trata de diversos assuntos que rodeiam o tema das redes sociais. Presentes, também, neste especial: Raquel Recuero, Carlos Nepomuceno, Sérgio Lima,Lilian Sarobinas, entre outros professores e pesquisadores.
O Congresso, totalmente online, abrigou interessantes discussões nos fóruns abertos ao redor dos diversos temas e artigos. Agora, é lançada a Revista Tecnologias na Educação e publicados os artigos, palestras e relatos de experiência que deram movimento ao Congresso.
É importante salientar a origem da nova revista: uma comunidade de educadores blogueiros que, desta forma, socializam um pouco de suas reflexões. Uma comunidade que mostra como os professores podem formar redes sociais online, relações que ampliem os processos de aprender-ensinar.
Espero que, em breve, os diversos fóruns do congresso, que abrigam riquíssimos debates, possam ser reabertos e agregados a este primeiro número da revista, possibilitando, mais uma vez, o diálogo em torno de temas tão importantes. Fica a sugestão aos organizadores :)
Espero, também, que o meu artigo possa continuar suscitando o debate sobre a formação e o trabalho do professor em sua intersecção com as tecnologias da informação e da comunidação.
O melhor da semana é que saiu na Carta Escola, da Carta Capital, um texto e um conjunto de atividades que eu e a Lilian Starobinas construímos juntas. O título é "Quem é o Homem Algorítmico" e vem logo depois do texto do Silvio Meira, Nasce o Homem Algorítmico. Infelizmente, esta produção sai só na revista impressa. Porém, estamos vendo um jeito de poder socializar o texto.
A coisa que mais me agradou neste trabalho foi realizá-lo junto com a Lilian. E tem gente que acha essencial o olho no olho para que alguma relação tenha realmente empatia. Fizemos tudo à distância, tudo construído cooperativamente mesmo. Uma experiência muito boa em todos os sentidos.
Começamos lançando todas as viagens possíveis e, depois, fomos juntando as nossas idéias e construindo um caminho comum. Muito interessante. Por ex:
O texto do Sílvio começa assim: "Pedro está colado no celular de Mano jogando alguma coisa cuja trilha sonora é de tirar o juízo de qualquer um que não tenha anos de meditação. De repente, pára e pede: “Mami, diga xis!” A mãe, no banco da frente, diz. Pedro retruca: “Olhando pra cá, né, mami?” Todo mundo ri. Pedro, 6 anos, e Mano, 10, estão explorando um dos 120 milhões de celulares existentes no País, muitos deles nas mãos dos “manos” de 10 anos." Para iniciar a nossa provocação, eu comecei sugerindo:
"Eram cinco horas da tarde quando Valdisnei pegou Tiaron e Uesli pela mão e foi rápido para a bica, que ficava dois barracos adiante do barraco onde ele mora com a mãe e os cinco irmãos e irmãs. Tinha de chegar rápido na bica para lavar os dois, antes que o pessoal da vila começasse a voltar para casa e a fila ficasse muito grande. Agora era todos os dias esta lavação, porque senão o pessoal da creche não recebia os dois e aí Valdisnei não podia ir para a escola. Deu banho nos dois e se lavou mais ou menos. Tinha vergonha de tirar a roupa ali na rua. Pegou a sacola com a roupa suja e puxou os dois pela mão na direção do boteco da esquina. Queria assistir um pouco de TV antes da mãe voltar. Em casa tinha TV, mas não tinha luz, porque os 'gatos' no poste mais perto da sua casa tinham estourado e deixado sem luz aquele pedaço da vila. Ficou por ali, olhando Malhação, enquanto Uesli e Tiaron se sujavam de novo brincando com um cachorro. A mãe ia demorar e era bom eles ficarem entretidos para não sentir fome. Valdisnei (que a professora chamava Valdisnei e que a mãe corrigia: o nome dele se diz Val Dísnei) se espichou para ver pela janela aquele mundo diferente que a novela mostrava."
Mas mudamos: em vez das crianças, terminamos por colocar o professor no centro da conversa, num contraponto não tão contrastante, mas, que até por isso, mostra as contradições do viver digital.
Eu blogo desde 2002 e, de início, usei aplicativos variados de blog tentando achar um que fosse acessível, tivesse variedade de recursos e não levasse anos para carregar.
É, naquele tempo os serviços eram precários e para postar era preciso entrar na fila, quase.
Assim, pipoquei de blogger.br (que ainda não era da Globo) à blogger.blogspot (quando a Pyra Labs ainda não era do Google), que eram os que existiam na época, e acabei ficando no blogspot, mesmo sendo em inglês e criando dificuldades para o uso com alunos, por isso.
Nestas, perdi blogs, perdi os comentários que ficavam em aplicativos diferentes: blogger.globo e haloscan.
Assim, meu blog ficou uma colcha de retalhos linkando o que consegui recuperar.
Hoje comecei um processo de agregar isso tudo. Vai levar mais uns 3 anos eu acho :)) Mas vai ficar legal. Enquanto isso, o meu feed rss vai ficar meio maluco, misturando coisas antigas e novas. Então, se derem de cara com uma entrevista minha de 2005, uma atividade do cmpa de 2002, relaxem... Pulem para o outro post ou vão dar uma espiada.
Nele a minha contribuição para a matéria Folksonomia, em entrevista ao Luís Rocha.
Um trecho da matéria:
"A folksonomia é parte de uma série de transformações na rede, que se intensificaram de 2003 para cá. Se junta à disseminação dos blogs e wikis, à distribuição de conteúdo por protocolos tipo o rss (really simple syndication), aos aplicativos para constituição de redes sociais como o Orkut, e aos coletores sociais de links e outros materiais como o del.icio.us. As mudanças para o desenho de sítios vêm deste conjunto de transformações. Normalmente os sítios são desenhados esperando um incremento na encontrabilidade e, assim, penso que haveráum movimento no sentido de estudar como esta folksonomia está sendo gerada e quais as tags ou palavras-chave que deverão ser atendidas no projeto do sítio."
Saiu no Boletim do SENAC SP a matéria de Ivanir Costa sobre o uso pedagógico dos blogs. Eu participei contribuindo com a minha experiência e os diversos projetos nos quais venho atuando desde 2002.
Um pedacinho da matéria:
Professores e alunos já usam todos os atrativos dos diários online para criar uma rede de ensino e comunicação Os blogs estão se profissionalizando e deixando de ser apenas "diário virtual adolescente" para virar palco de discussões e fonte de informações para muitos setores. No mundo corporativo, vários executivos têm seus próprios blogs, assim como jornalistas renomados também mantêm um canal próprio de informação e discussão. E esta febre começa a contagiar professores e educadores, que já vêem nos blogs uma alternativa para comunicação na educação e um excelente meio para oferecer uma formação descentralizada. ... Suzana Gutierrez atua com blogs desde 2002. Começou em um projeto com alunos da faculdade em que trabalhava e incluiu o assunto em sua dissertação de mestrado. A partir daí, se envolveu em vários projetos, como o Relendo Clássicos, blog colaborativo de uma disciplina do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS; o Prática Educativa em Medicina, blog colaborativo da disciplina de mesmo nome da Faculdade de Medicina da UFRGS; o InTramse, com notícias do Núcleo de Estudos e Experiências em Trabalho, Movimentos Sociais, Saúde e Educação (TRAMSE) da UFRGS; e o Argumento, blog-revista do TRAMSE/UFRGS.
El proyecto [Zaptlogs] fue concebido y desarrollado por la investigadora brasileña Suzana Gutierrez durante el cursado de su maestría en Educación en la Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Sus objetivos se orientaron a la construcción de alternativas en la formación de educadores autónomos en el trabajo con tecnologías digitales educativas y a la utilización de medios para la formación de comunidades de investigadores para intervenir en las mismas con una propuesta de apropiación de las TICs. Para ello utilizó weblogs como tecnología de comunicación digital en red que le permitiese construir espacios de investigación, colaboración y aprendizaje. Susana accedió a compartir con nosotros su relato y conclusiones de aquélla experiencia que concluyó pero que continúa expresándose en la red.
[zaptlogs] - relato de experiência e pesquisa
Suzana Gutierrez Mestre em Educação, Pesquisadora do TRAMSE UFRGS Professora do Colégio Militar de Porto Alegre