Hoje estava lendo um artigo que questionava se a internet era em si mesmo uma cultura ou se inseria na cultura humana como um artefato cultural. E eu fiquei pensando no assunto, constatando que tudo que se refere a rede acaba por se inscrever em espaços que se incluem uns nos outros.
Rede de redes. Movimento dialético, que se constitui em sucessivas interações. Rede inapreensível, a não ser por momentos que não se repetem da mesma forma.
É por aí que a rede, além de meio, de extensão das nossas possibilidades, cria, por si só, uma cultura, que contém e é continente da cultura humana.
E eu segui pensando nas diversas culturas que se inserem, se separam, mas, ao mesmo tempo, se ligam no espaço cultural maior. Nas comunidades que se formam por meio de suas práticas, seus ritos e sua temporalidade especial.
A escola, o hospital, por exemplo, são espaços que possuem esta temporalidade própria, linguagem, rituais. São culturas e artefatos culturais ao mesmo tempo.
Faz um tempo, eu escrevi sobre o hospital. Sobre a temporalidade alterada, a centralidade dos procedimentos de cura, o deslocamento dos papéis e práticas habituais das pessoas, a opacidade da identidade e da individualidade de cada um.
E eu continuo pensando sobre a centralidade em torno da qual cada rede gravita, até porque se diz sempre que a rede não tem centro. Estes centros, que alteram a realidade a sua volta, são como eu imagino as dobras no espaço-tempo. Uma inflexão, um espaço com lógica própria e que altera as propriedades do que está ao redor.
Investigar as redes, passa por sincronizar com o ritmo, se inserir nos rituais, compreender a rede como cultura e artefato, habitar e conhecer os habitantes e os artefatos que eles criam.
A comunicação é algo fascinante. É impressionante como você emite "abc" e, lá no outro extremo do telefone sem fio, alguém entende "def". Isso, às vezes, adquire perspectivas kafkianas.
Esta semana, depois de expor minhas idéias sobre um assunto, eu cai na bobagem de tentar explicar que eu não era cdf, como estavam dizendo e, sim, xyz. Me senti literalmente em O Processo!
A tirinha do Angeli foi copiada do Tiagón, via Google Share, e ilustra bem a minha sensação ao expor as minhas idéias.
Nele a minha contribuição para a matéria Folksonomia, em entrevista ao Luís Rocha.
Um trecho da matéria:
"A folksonomia é parte de uma série de transformações na rede, que se intensificaram de 2003 para cá. Se junta à disseminação dos blogs e wikis, à distribuição de conteúdo por protocolos tipo o rss (really simple syndication), aos aplicativos para constituição de redes sociais como o Orkut, e aos coletores sociais de links e outros materiais como o del.icio.us. As mudanças para o desenho de sítios vêm deste conjunto de transformações. Normalmente os sítios são desenhados esperando um incremento na encontrabilidade e, assim, penso que haveráum movimento no sentido de estudar como esta folksonomia está sendo gerada e quais as tags ou palavras-chave que deverão ser atendidas no projeto do sítio."
Amei isso. Você entra no Audioscrobbler Browse V0.1, digita o nome de uma banda ou artista e o programa mostra outras bandas relacionadas conhecidas e novas. Se colocar uma outra banda no campo ADD, vai mostrar esta banda, as bandas a ela relacionadas e as ligações com a primeira banda. Clicando em qualquer referência, se estabelecem novas ligações.
.:: descobri isso no blog do Sebastian Paquet .:: em tempo: na terceira 'adição' dá pau no micro , nada é perfeito.
.:: em tempo 2: uma boa idéia seria fazer algo assim com os pesquisadores, ou projetos, ...