Assisti quase todas as palestras do dia, depois de ter encaminhado as minhas aulas no CM. Anotei pouco, mas aproveitei bastante as apresentações. Não teve muitas novidades e tem uma coisa que me chamou a atenção. Quase nenhum trabalho, pelo menos na apresentação, faz algum tipo de contextualização para dar uma idéia da totalidade onde o tema abordado se insere. As coisas ficam como que perdidas num limbo e, então, algumas grandes confusões teóricas podem obter espaço. Minhas anotações:
>> Projeto Arara de Brinquedo - Paulo Bortoli – Editora Arara Azul – Petrópolis/RJ Produção de CDs educacionais para surdos. O trabalho apresentou uma boa revisão teórica sobre as possibilidades dos jogos na aprendizagem. Os softwares são elaborados usando um programa chamado 'superlink' << acho que anotei isso errado.
>> Videoconferência - Usando Tecnologias Interativas como Suporte para Autoria e Construção Colaborativa de Conhecimento - Jorge Ferreira Franco – Poli/USP Relato de experiências e participação nos projetos Caverna Digital USP e A cidade que a gente quer. O ar condicionado ligado e fazendo um barulhão e a pouca qualidade da transmissão (nem tanto técnica, quanto de pouca experiência no uso da tecnologia) dificultaram bastante o entendimento.
>> AVALWEB – Sistema interativo para gerência de questões e aplicação de avaliação na Web - Carlos Morais – PPGIE/UFRGS Apresentação de um gerenciador de questões e exercícios que gera avaliações e relatórios. O software é livre (PHP, MySQL), tem módulo professor/aluno, envia email, cadastra turmas, disciplinas, tópicos e questões. Processa auto-avaliação, também. Emite relatórios diversos. desenvolvido e documentado na dissertação de Rodrigo Ferrugem Pedroso e na do autor do trabalho. Para testar: AVALWEB
>> Tecnologia e educação: relações históricas, locais e mundializadas - Fabiane Maia Garcia- ICHL/Universidade Federal de Amazonas Para mim este foi um dos melhores trabalhos apresentados no V Ciclo. Trouxe questões que ficam à margem da maioria dos trabalhos. Por exemplo: o papel dual que a tecnologia tem na sociedade. A autora relata a partir da realidade do Amazonas, onde as tecnologias chegam encantando e motivando a escola, num primeiro momento, para depois serem rejeitadas e abandonadas. Abandonadas não só pelos professores que se sentem temerosos e impotentes ante os pacotes tecnológicos que recebem sem participação ou escolha. Abandonadas, também, pelo governo que descobre que a tecnologia demanda investimento constante e que o que o que ela vem enriquecer não deixa de existir sem ela. A escola funciona sem computadores, por ex.
A autora faz um paraleo interessante entre técnica e tecnologia, nos moldes que eu fiz na minha dissertação, mostrando a vinculação da tecnologia à ciência na sociedade capitalista. Salienta a diferença das tecnologias computadorizadas das outras tecnologias, na forma de sua implementação na escola, com um caráter mais impositivo. Aponta, também, as questões éticas vinculadas ao conhecimento (=poder) na sociedade atual.
Gostei especialmente quando ela criticou de forma indireta a maioria dos trabalhos apresentados sobre softwares educacionais ou pedagógicos dizendo que a grande maioria deles ainda funciona no paradigma de premiar a resposta correta com palminhas e musiquinhas e que alguns deles são claramente deseducativos.
Participei da discussão acrescentando que um dos fatores de rejeição da tecnologia por parte dos professores é a sua interferência nos processos de trabalho, principalmente porque ela, contraditoriamente, vem facilitar o trabalho ao mesmo tempo que intensifica a carga de trabalho, pois gera novas tarefas ao profissional. Incrivelmente, esta contradição fica fora da maioria dos trabalhos e tem alguns até que tem o topete de afirmar que a tecnologia libera 'tempo livre', como se cada um de nós não sentisse na carne que cada vez se trabalha mais.
>> Gestão de Recursos Educacionais: um relato de caso - Raymundo Carlos M. Ferreira Filho - UFRGS Ambiente de aprendizagem / repositório de objetos educacionais. ENGEO * trabalho que contextualiza a tecnologia dentro da sociedade do conhecimento e tem como norte atender exigências de se adequar ao mercado. Resta saber se esta fundamentação perpassa a estruturação do próprio ambiente.
>> Possibilitando um vínculo contínuo de universitários egressos da UFPEL através do desenvolvimento de um portal - Beatriz Wilges - UFPEL Exatamente o que diz o título. Incrível que é o segundo ambiente a assumir ares orkutianos :) Portal << está dando erro na página. Pelo que foi mostrado na apresentação, o portal não é uma página dinâmica e não distribui conteúdo usando rss ou atom. No meu entender, assumiram a arquitetura depósito do orkut, logo agora quando já existe por aí um movimento de orkuticídio.
>> A convergência digital dos meios de comunicação e seu impacto na qualificação dos profissionais da área - Graciana Simoni Fischer - UFSC Deste trabalho só me ficou a salada teórica que faz a autora ao trabalhar com os conceitos de Qualificação X Competências (assim X mesmo), apresentando o modêlo de competências como um avanço (superação!) do antigo (histórico!) paradigma da qualificação. Ia render uma boa discussão e a Fabiane Garcia até começou, mas foi abortada pelo adiantado da hora. Foi neste trabalho que veio a pérola afirmativa: a tecnologia libera tempo livre, inclusive falando em ócio criativo.
>> O Ensino de Heurísticas e Metaheurísticas na área de Pesquisa Operacional sob a ótica da Educação Dialógica Problematizadora - André Zanki Cordenonsi – UNIFRA/UFSM Notas sucintas: 1 - AMEM ; 2 - Porque ele não usou Paulo Freire?
>> Palestra convidada: Licenciaturas a distância: a experiência do Consórcio CEDERJ - Prof.Celso Costa - UFF - Vice-Presidente de Educação a Distância do Consórcio CEDERJ. Foi a palestra mais prestigiada do V Ciclo. A única apresentação em que não pareceu em nenhum momento que os coordenadores estivessem ali cumprindo o programa, apenas. Atraiu professores dos mais remotos recantos da Universidade, até então não vistos no V Ciclo (a grande maioria não esteve presente em nenhuma das apresentações de trabalho que assisti).
Foi bastante interessante conhecer a experiência do CEDERJ, sua estrutura e o atual estado de seu projeto. Foi divulgado que teremos um link para a apresentação, então deixo que ela se auto-explique.
Direto do V Ciclo de Palestras do CINTED - terceiro dia
Hoje o dia foi cheio. Começou com a palestra do Dr. José Ottoni Outeiral, às 7h:30min, no CMPA. O tema foi relações afetivas na sala de aula e o principal assunto foi o uso de drogas e a sexualidade. Foi uma boa palestra, embora o contexto apontado como causador dos maiores problemas fique no nível da sociedade atual, sem no entanto abordar o modo de reprodução sócio-metabólico no qual vivemos.
Terminou ali pelas 9h, quando eu tive a felicidade de saber que por atividades diversas não teríamos as aulas de educação física da manhã. Assim, pude me catapultar para a FACED/UFRGS e assistir algumas palestras, além de me preparar para a minha apresentação, que estava marcada para as 14h.
Ontem, não pude participar como queria e thoje tomei poucas notas. As anotações de hoje:
>> A concepção do aluno sobre a própria aprendizagem ao utilizar ambientes virtuais - Alexandra Lorandi Macedo – PPGEDU/UFRGS Peguei a apresentação no fim e foi uma pena, pois esperava poder assistir este trabalho. Foi mais um daqueles que abordaram as eternas dificuldades em se fazer funcionar a interação online. Na pesquisa que realizaram constataram que os alunos da graduação interagem e participam mais que os do pós-graduação. << Alguma coisa sobre isso eu falo na minha dissertação, também.
>> Processo de Desenvolvimento de Software Educacional: proposta e experimentação – Everton Flávio – UNIVALI – Itajaí/SC Relato do processo de criação de um software educacional para o ensino fundamental, o Softvali. Desenvolvido na UNIVALI para o projeto Escolas sem Fronteiras de Blumenau, Santa Catarina. O software, desenvolvido iterativamente por uma equipe multidisciplinar, é um ambiente lúdico onde o aluno pode visitar um museu, fazer compras num supermercado, ir ao cinema, etc. Nestas atividades estão incluidas: matemática, artes, alfabetização, educação ambiental. A novidade é que o software é configurável, suportando acréscimos e modificações. O de sempre é que foi feito para Windows, por este ser o sistema operacional usado nos laboratórios das escolas de Blumenau. [mais infos]
>> Videoconferência: Adaptação de Interfaces em Ambientes Virtuais de Aprendizagem com Foco na Construção Dinâmica de Comunidades Paulo Sérgio Rodrigues Lima – Engenharia Elétrica /UFPA Desenvolvimento de ambientes mais flexíveis e interativos. O ambiente, AmAm, que está sendo construído na UFPA tem uma aparência definitivamente orkutiana. Traições da tecnologia: o palestrante começou sua apresentação aparecendo de cabeça para baixo na tela. Eu já estava pensando que ele era parente do vovô da família Adams (AmAm...), quando alguém caridosamente resolveu avisar.
>> Weblogs e educação: contribuição para a construção de uma teoria - Suzana Gutierrez - CMPA ; TRAMSE/UFRGS Foi uma apresentação calma, até porque eu estou semi asmática faz uma semana. Sempre que me empolgava, começava a tossir e tinha de parar para tomar água. Não fiquei nervosa, mas com estes acessos até parecia. Larguei no final aquele desafio/brincadeira de postarem no Vamos Blogar? utilizando o e-mail e enviando imagens. Como eu previa, foi surpresa para a maioria. O legal é que continuaram postando após a minha apresentação.
>> Fatores Relevantes à Formação e manutenção de comunidades virtuais facilitadoras da Aprendizagem - Daniela Haetinger – ESPIE/CINTED Uma pesquisa realizada com professores especialistas em tecnologias na educação sobre as formas de interação mais usadas e sua importância na formação de comunidades virtuais e na aprendizagem. Abordou, também, os diferentes fatores que contribuem para aformação e para a manutenção das comunidades. Nota: um dos tipos de interação/uso da tecnologia que teve índice mais baixo em relevância para a aprendizagem foi a transmissão de arquivos de áudio. Logo agora em que os podcasts começam a se firmar como alternativa. Nota 2: entendi que o grupo não conhecia o podcasting.
>> Estratégias de interação entre tutor e estudantes em Educação a Distância - Querte Mehlecke – PPGIE/UFRGS Relato de uma pesquisa sobre EAD (fase 1) realizada em Portugal. A pesquisadora contou que se surpreendeu com o nível baixo de desenvolvimento da EAD na Europa. As alternativas ainda muito usadas se baseiam e material escrito, correio e telefone. [mais]
Depois desta apresentação, desci, tomei um café com meu colega Dileno, que chegou sei lá de onde para sua defesa de tese no dia 15. E debandei porque o cansaço venceu.