sexta-feira, outubro 17, 2008

na roda da vida


Não muito espaço atrás, teve um tempo onde o tempo assumiu o comando da minha vida e, embora eu tente deixá-lo apenas como co-piloto, nem sempre consigo antecipar sua ganância pelos meus momentos.

O que podia parecer um caso individual de falta de organização e objetivos claros, é na realidade parte do processo de aceleração a que estamos todos nos submetendo. Como mais uma mercadoria entre as outras, nosso tempo entra no giro.

Aparentemente, a velocidade da vida e das coisas se intensificou e nós somos tragados por este movimento. Kosík diria que, indissociável desta aparência, está o contexto criado por nós, como sujeitos históricos. Nem natural, nem imutável, totalidade inacabada na qual somos criaturas e criadores.

Esta capitalização do tempo se mostra nos espaços que ocupamos ou não. As leis da física, algumas delas :), ainda continuam valendo. Eu, por exemplo, ainda não consigo ocupar dois espaços ao mesmo tempo com perfeição. A menos que sejam duas poltronas adjacentes na classe "executiva" de algum vôo internacional.

Bem..., toda esta filosofia de boteco é para explicar este blog parado. Contradição. Há tanto para dizer que se torna indizível. Por tempos, especialmente nesta época do ano, a voragem me pega no contrapé e eu fico no bloqueio.

tempo
* quando se pensa o tempo, se acha o espaço. Vamos ver se alguém descobre de onde é esta foto.

Domingo começam os jogos da amizade de 2008: 500 pessoas se somarão às 1000 do CMPA para 5 dias de alegria e dor. E, este ano, nós seremos os responsáveis pela alegria e pela dor. Para quem pensa que competições esportivas são o reflexo da sociedade individualista e competitiva, eu digo que vocês tem razão. Elas são mesmo. Porém, são isso e mais que isso.

Como eu escrevi recentemente, competir nos esportes pode ir além da disputa. Para os que pensam a educação física, ((aquela disciplina cuja aula é cancelada sempre que é preciso um período de aula para qualquer outra coisa)), como algo separado da educação e que têm dúvidas sobre o papel da EF no currículo da escola, recomendo a leitura deste texto do Prof Adroaldo Gaya, publicado no site dos Jogos como motivação\justificativa\'toque'.

Como podem ver por esta postagem, vou pelos fragmentos. Atravessando o rio pulando de pedra em pedra :))

E enquanto eu me desdobro nas muitas frentes do trabalho, do estudo, aprendo com quem tem paciência >> tem uma sabiá fazendo ninho na minha porta. Faz quase um mês que ela começa, muda de idéia, transfere .... procura o melhor lugar. E eu fico aqui pensando: será que o ovo pode esperar?

pressa....

[/mode introspectivo on] este é um daqueles textos só para mim mesmo ...

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quinta-feira, março 27, 2008

internet, cultura, ritos e temporalidades


Hoje estava lendo um artigo que questionava se a internet era em si mesmo uma cultura ou se inseria na cultura humana como um artefato cultural. E eu fiquei pensando no assunto, constatando que tudo que se refere a rede acaba por se inscrever em espaços que se incluem uns nos outros.

Rede de redes. Movimento dialético, que se constitui em sucessivas interações. Rede inapreensível, a não ser por momentos que não se repetem da mesma forma.

É por aí que a rede, além de meio, de extensão das nossas possibilidades, cria, por si só, uma cultura, que contém e é continente da cultura humana.

E eu segui pensando nas diversas culturas que se inserem, se separam, mas, ao mesmo tempo, se ligam no espaço cultural maior. Nas comunidades que se formam por meio de suas práticas, seus ritos e sua temporalidade especial.

A escola, o hospital, por exemplo, são espaços que possuem esta temporalidade própria, linguagem, rituais. São culturas e artefatos culturais ao mesmo tempo.

Faz um tempo, eu escrevi sobre o hospital. Sobre a temporalidade alterada, a centralidade dos procedimentos de cura, o deslocamento dos papéis e práticas habituais das pessoas, a opacidade da identidade e da individualidade de cada um.

E eu continuo pensando sobre a centralidade em torno da qual cada rede gravita, até porque se diz sempre que a rede não tem centro. Estes centros, que alteram a realidade a sua volta, são como eu imagino as dobras no espaço-tempo. Uma inflexão, um espaço com lógica própria e que altera as propriedades do que está ao redor.

Investigar as redes, passa por sincronizar com o ritmo, se inserir nos rituais, compreender a rede como cultura e artefato, habitar e conhecer os habitantes e os artefatos que eles criam.

E eu continuo pensando...

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