Freud deve explicar (mas eu nem quero saber a explicação) porque eu, que já tive um ratinho de estimação chamado Paul, hoje tenha tanto medo de ratos. E deve existir, também, alguma confluência astral que faça com que eles volta e meia apareçam na minha frente. E estas ocasiões não têm sido muito saudáveis para eles, diga-se.
Em 2004, no verão, eu passei dias tocaiando uma criatura que estava papando as minhas frutas. Esta história foi o hit da semana aqui no blog, até que eu descobri quem estava vindo para jantar.
No ano passado, um deles desceu do barranco na minha frente e, creiam ou não, eu acertei o infeliz com uma havaiana à três metros de distância. Depois, em pleno ataque histérico, terminei o serviço com uma vassourada. Bom, ... foi a segunda vez na vida que eu matei um mamífero e a primeira que o rato não era meu.
Como vocês já podem imaginar, Paul foi a minha primeira vítima. E, antes que pensem que sou uma desalmada que matou o próprio mascote num acesso de raiva, saibam que foi sem querer. Na época tínhamos, eu e a minha irmã, dois ratos: Paul e a Kátia. Eles moravam numa casa bem grande de madeira, da qual fugiam roendo algum canto. Um dia, tentando pegar o Paul, eu acabei deixando cair a casa em cima dele. Estrebuchou na hora e eu levei meses para esquecer.
Pois, é... As coisas são cíclicas. Ontem a minha filha estava cozinhando um jantar para nós, quando deu de cara com ele. Gordo, o abusado estava tranquilamente roendo uma das nossas bananas, na mesma fruteira. Gritando, foi ela para um lado e o rato para o outro. E eu corri para acudir, achando que o tal frango ao curry verde tinha criado vida.
Aí começou a batalha: a criatura insolente estava embaixo do fogão. Fechamos todas as portas, menos a que dá para o pátio. Eu, empoleirada numa cadeira espirrei Baygon (este não é um link patrocinado) no fogão, no frago e nas bananas, com a vaga esperança que a criatura fosse alérgica. Não era, mas o frango assumiu um tom meio cinzento.
Conhecem arborismo? Pois, foi quase assim que eu cheguei nas vassouras. Aí, devidamente instalada no alto de uma cadeira, comecei a bater no fogão, na geladeira, no frango com curry verde cinza e em todas as coisas móveis e imóveis da cozinha.
Bingo! O rato saltou de trás do fogão e desabalou para a sala. Nova gritaria geral. Pior,... eu acho que fechei os olhos e aí não tive certeza se o rato saiu para a rua ou não. Resolvemos, então, pegar as vassouras, criar coragem e partir para o ou ele ou nós. Subimos nas cadeiras, arborizamos até a sala e, é claro, começamos a bater nos móveis. A sorte é que antes que destruíssemos alguma coisa, a praga saltou de debaixo de um sofá e saiu para a rua. Ufa!
Vitória! A porta foi fechada e o frango ao curry verde foi devidamente pranteado.
É, mas não terminou... Hoje pela manhã encontramos uma das bananas sobreviventes roída e concluímos que eles vêm pela janela da cozinha. Não me perguntem como sobem no telhado que tem abaixo da janela e escalam a parede. Certamente, vêm do prédio do lado, pois é o único caminho possível. Putz!
A batalha vai continuar... A banana está lá deitadinha na fruteira. O buraco roído entupido de um veneno cor de rosa que eu comprei pela tele-entrega. [Vamos estar entregando o organofosforado acetilcolinesterásico em 28 minutos ou a Senhooora não paga.] O distribuidor me garantiu que é definitivamente letal. Eu estou virando uma serial killer :(
Dizem que quando o gato sai de casa os ratos fazem a festa... Eu não tenho gato para sair de casa, mas descobri que a minha ausência foi um paraiso para as baratas. Com apenas um ogro habitando a casa entre o Natal e esta semana, algumas coisas não entraram lá: a diarista, sol, ar puro, por exemplo; enquanto outras entraram sem qualquer problema: baratas e outros insetos, mofo, coisas espalhadas, poeira,...
Ontem foi o dia de limpar mesmo tudo e de desalojar inquilinos invisíveis. A idéia de colocar Butox (já to vendo os referrers "clinica botar butox") em ralos se revelou uma arma perfeita para liquidar com a maioria dos clandestinos e, de quebra, matar carrapatos e sarna de quem se banhar no Guaiba nos próximos dias. Com um único inconveniente: as baratas da casa correram para o esgoto e as do esgoto correram para casa! as vítimas acuadas descobrem saídas alterativas. Ah... a rede (de esgotos, no caso) e suas inesperadas ligações.
Subitamente, as baratas emergiram (viralmente) no meu micro jardim interno, em meio aos meus tão amados seixos. Meu PC atualmente é bem de frente para o tal jardim e presenciei a emergência. O laptop quase foi para o chão e eu lamentei, MESMO, o meu hábito de andar descalça e não saber onde deixei os chinelos.
Pedindo socorro, peguei a coisa mais próxima e ataquei a orda de Blattodeas vulgaris. Descobri, enfim, a utilidade daqueles guia telefônico que tem o tamanho de um caderno pequeno de 800 folhas (aquele qua não dá nem para abrir). Enquanto eu batia nas baratas, a Ana Paula (minha ajudante para assuntos domésticos) veio correndo com os chinelos e o Baygon.
Contido o primeiro ataque, providências foram tomadas: mais butox, ralos fechados, chinelos colocados estratégicamente pela casa toda. Bom,... como dizem os guris da minha equipe de basquete: não teve rebote... elas não voltaram. Vitória!
Lição: quando você quiser acabar com uma ou duas baratas que, por acaso, estiverem vivendo na sua casa, use o chinelo. Soluções finais acabam acordando o exército do rei escorpião e você acaba trazendo para casa aquilo que queria ver fora. Em muito maior quantidade.
Periplanetas à parte, ontem foi um dia produtivo no front doméstico:
* casa limpa e semi arrumada - a minha participação nesta parte foi a de pesquisar alguma coisa e descobrir que nunca serei uma FlyLady. Eu não passaria do primeiro dia, por incompetência e, também, por visão de mundo.
* a minha porção da mata atlântica foi contida, ou seja, aquela vegetação alienígena que vem do terreno vizinho não vai mais acabar nos matando. Nesta parte eu participei ponderando com o Seu Adão (bom nome para jardineiro) que a serra elétrica era uma alternativa meio exagerada para podar dois pés de roseira de um pequeno jardim vertical (para não dizer um barranco com algum mato).
* impressora instalada e funcionando (antes de descobrir que o cabo USB que mandaram era insuficiente, eu já tinha gastado uma hora fuçando o que estava errado com a instalação\configuração).
* depois de 4 dias o meu carro secou. Os 4 cm de precipitação pluviométrica de Capão da Canoa que ele absorveu sábado passado enfim evaporaram. E eu nem contei que viajei para Porto Alegre num carro aquário.
* em tempo: Butox é um carrapaticida que eu uso, também, como formiguicida e baraticida. Apesar da sua alta lipofilia (atração pelas gorduras) ainda não o usei numa das minhas inconstantes dietas.
Alguém pode me informar como pode aparecer um sapo na sala de um apartamento de primeiro andar, que tem um pequeno pátio e fica no fundo do edifício fazendo divisa com dois edifícios nas laterais e, ao fundo, tem um muro de mais de dois metros de altura na divisa com duas casas?
E eu não tenho nenhum laguinho...
Pois é, ... ele está lá e entrou debaixo do sofá :(