domingo, novembro 30, 2008

Amazonia: Desafiando o Rio Mar


 Enfim começa a aventura do Cel Hiram, professor do Colégio Militar de Porto Alegre. Na página do colégio, a notícia:

No dia 01 de dezembro, ao raiar da manhã, terá início a epopéia do Cel R/1 Hiram Reis e Silva na Amazônia.

Serão cerca 1.630 km pelo Rio Solimões entre as cidades de Tabatinga e Manaus, ambas no Estado do Amazonas; 100 km a mais do que a distância entre Porto Alegre e Rio de Janeiro!

O percurso será realizado em dois caiaques oceânicos (mais propícios para remadas que envolvam longas distância; são rápidos e possuem compartimento de carga que permitem levar provisões), um tripulado pelo Cel Hiram e outro pelos dois companheiros de aventura [continue lendo]
 acompanhe a viagem pelo Blog de História do CMPA.

Um desafio de coragem, de determinação, mas sobretudo de amor.
Vai, Hiram!

)) foto do diário de bordo

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sábado, julho 05, 2008

a história de quem






Aqui, se anda esbarrando na história. Não é fácil andar na Place de la Concorde sabendo que ali mil e tantas pessoas foram guilhotinadas. A história está sempre sendo contada, repetida nos monumentos, nas placas das ruas.


Quase sempre é a história dos vencedores, dos poderosos, como costuma ser. Mas, por vezes, se topa com as histórias simples que por acaso conseguem ter visibilidade. Cartas de soldados, objetos que sobreviveram a destruição de duas guerras, ruas onde aqueles que não tem histõria deixaram a sua marca.






* as foto são do Hotel des Invalides que tem um museu militar incrível.

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domingo, setembro 09, 2007

a day in a life


Ela reinava soberana entre o arquivo principal e o guichê. Seus domínios foram sempre muito bem demarcados desde a longínqua data onde ela fora designada para a minúscula escrivaninha entre a mesinha do café e a porta. Seus domínios, agora, eram a sala toda.

Aquele posto inicial não se chamava mais escrivaninha, a mesinha do café sumira para o que eles agora chamavam de área de convívio. A escrava que ela fora um dia se transmutara em duas estagiárias que falavam demais e pareciam não saber da existência de nada que não estivesse no computador. Porém, até o dia de hoje, havia a segurança do guichê, as caras ansiosas dos requerentes e o seu poder de vida e de morte sobre os certificados, os atestados e as segundas chamadas.

Aí, um dos vice- diretores não sei de quê (a raça havia se proliferado nos últimos anos; muito cacique para pouco índio, diria o seu pai se vivo fosse) entra na sala cercado pela turma dos serviços, com seus analógicos martelos, metros e serras e, analogicamente, o seu querido guichê sumiu.

(...wearing the face that she keeps in a jar by the door - cantarolava o seu cérebro sempre que se aproximava da grande janela)

- Ampliamos a rede, modernizaremos o atendimento aos alunos! - diz o vice-gordinho desinteressado, como se modernizar alguma coisa não fosse um paradoxo. - Agora é tudo online.... - repetia ele para as duas patetas que batiam as mãozinhas felizes. E a coisa foi por aí. O guri espinhento e escabelado da informática instalou mais dois terminais, não respondendo, como sempre, nenhuma pergunta objetiva.

(Ah, look at all the lonely people ...)

As patetas que só conhecem os verbos clicar, deletar, baixar, no âmbito dos procedimentos de trabalho, ficaram perguntando (em vão) quando seria o treinamento. Ela que tivera uma formação à antiga, no tempo em que alguns professores ainda chamavam o "quadro negro" de "pedra", tinha desenvolvido um bom raciocínio lógico ( a peso de muitos zeros em matemática, incansávelmente recuperados) e, assim, estranhamente, não se assustava com as manhas dos computadores e programas. Mas se ressentia da linearidade dos procedimentos, da insensibilidade dos fluxogramas e ah..., da falta do guichê.

O estranho é que tudo parecia igual no campus: os mesmos hippies a se arrastar pelo pátio, com as mesmas roupas. Igual, se não fossem os reluzentes aparelhos nos dentes e os jeans de griffe que já vinham rasgados do shopping (ah o shopping). Igual, se não fosse os indefectíceis fones nos ouvidos e a torrente de obviedades que saia de suas bocas, quando elas se abriam.

( Where do they all belong ?)

Sem o guichê, ninguém notou a sua falta no outro dia. Nem quando o fluxograma do computador da entrada indicou: 3º dia >> tem justificativa? >> não >> descontar e o computador da seção de pessoal registrou na data conveniente o abandono do emprego.

(No one was saved)


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