terça-feira, março 24, 2009

Blogs e professores - mais uma dissertação


É muito bom ver a produção científica que aborda a educação e a comunicação mediada pela tecnologia crescendo. Em especial as que falam dos blogs, que é um assunto muito querido para mim.

E, no Brasil, em nível de mestrado e doutorado, já contamos com diversas dissertações e teses nas quais os blogs são o objeto de pesquisa por si só e\ou na mediação de relações. Algumas delas na Educação.

No dia 12 de março, Juliane Martins Guedes, da Univali, SC, defendeu a dissertação intitulada Entre o diário virtual e o diário de classe: traços de identidade profissional de professores na blogosfera, orientada pelo Prof. Dr Rogério Christofoletti.

Juliane acompanhou o cotidiano dos blogs de 10 professores e em breve vamos saber mais sobre o que ela encontrou nestas reflexões que unem de forma inseparável aquilo que é do trabalho e da experiência de vida do professor.

Eu, que faz muito me interessa, instiga e gratifica este esta completude inacabada do constituir-se professor, fiquei muito feliz quando recebi um email da Juliane, me contando da defesa e de que eu fui um de seus sujeitos de pesquisa. É surpreendente e muito legal ver que compartilhamos interesses e concepções teóricas.

Como disse a ela, estou louca para ler a dissertação que, tenho certeza, vai me ajudar muito nas reflexões que venho fazendo o doutorado.

Para ter uma idéia do trabalho, assista este pequeno vídeo. E visitem o blog da Juliane.

btw: este post estava por ser escrito desde o email da Juliane, mas a roda do tempo, só para variar, me pegou no que eu chamo de "tempos de general".

btw 2: com inspiração nesta entrada, comecei a reunir as teses e dissertações sobre blogs. Ajudem !

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sexta-feira, junho 13, 2003

ontem


Foi um dia muito feliz. O dia da qualificação da minha proposta de dissertação de mestrado no PPGEdu da UFRGS. Enquanto os participantes da banca iam dando seus pareceres, ao mesmo tempo que eu estava atenta anotando tudo, via em paralelo cada uma das fases deste trabalho. As dúvidas, a orientação, a ajuda dos colegas.

Reconheci a dimensão da orientação que tive, tanto no conteúdo, quanto no cuidado e no afeto. Minha orientadora é a Profª Drª Carmen Lucia Bezerra Machado. Na banca estavam os Profs. Drs. Margarete Axt, Marlene Ribeiro, Augusto Triviños, da UFRGS e Lucidio Bianchetti, da UFSC.

Todos os pareceres foram muito bons e, realmente vão contribuir e muito para o meu trabalho. A banca indicou a passagem para o nível de doutorado. (nesta parte eu quase desabei)

Tudo isso vai depender de aprovação no compós da Ufrgs e da minha decisão de aceitar a responsabilidade.


Ainda não consegui retornar a terra... por isso parece que estou escrevendo direto da Enterprise...

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sábado, março 22, 2003

o espetáculo


Se nos portarmos bem, está prometido, veremos todos as mesmas imagens e ouviremos os mesmos sons e vestiremos as mesmas roupas e comeremos os mesmos hambúrgueres e estaremos sós na mesma solidão dentro de casas em bairros iguais de cidades iguais onde respiraremos o mesmo lixo e serviremos aos nossos automóveis com a mesma devoção e obedeceremos às mesmas máquinas num mundo que será maravilhoso para todo aquele que não tiver pernas nem patas nem asas nem raízes. (GALEANO, 2001, p. 239)


Enquanto teço as linhas e entrelinhas de um projeto, tentando manter uma linha teórica consciente e coerente, a espiral histórica não se detém e mostra, nos acontecimentos presentes, as determinações que já estavam inscritas nos possíveis de um passado próximo.

Na tela das televisões materializa-se em imagens impactantes a primeira guerra em tempo real que assistimos em nível global. O aparato midiático segue o aparato militar e a cena da guerra se assemelha a um set de filmagem onde a destruição se mistura ao ensaio e a preparação dos atores.

Em cada canto do mundo foi possível ver o presidente da mais poderosa nação, testando expressões e poses, ter o seu cabelo arrumado diante das câmeras, antes de anunciar os últimos detalhes da carnificina que vem promovendo.

No campo de batalha, a telemática engendra o mais recente reality show. Desfila ante nossos olhos uma miscelânea de imagens rápidas, de textos desconexos, de simulações e apelações ao sensacionalismo. A tela divide-se em janelas, mesclando o desenho televisivo ao desenho da internet. Imagens e textos filtrados nos chegam iguais, seja qual for o canal de informações. Emerge um sentimento de irrealidade e de perda de sentido que nos assalta a cada evento. Comer pipocas assistindo ao bombardeio de Bagdad é aceitar como banal o sofrimento humano, aceitar a insensibilidade, nos desumanizar um pouco a cada dia.

Da globalização econômica, chegamos a globalização da cultura e dos sentimentos humanos. Na sociedade espetáculo , o sofrimento, a miséria e até a guerra podem ser estetizados e consumidos após o jantar. E, nisso, o desenvolvimento científico e tecnológico tem participação em forma e conteúdo, uma participação que urge ser discutida, desmistificada e posta às claras a todo cidadão deste planeta.

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